O Que Anda a Dizer Fortaleza?

Fotos: Davi Costa
Fotos: Davi Costa

A arte é uma expressão do homem em sua plenitude pela qual a mente concebe a sua criatividade através dos meios que encontra para manifestar as linguagens de sua imaginação. “O que anda a dizer Fortaleza?”é uma das exposições realizadas pelos alunos da disciplina “Arte e Cidade”, do curso de Sociologia da Universidade Federal do Ceará, que em quatro meses estiveram mobilizados no registro da cidade, nos olhares especulativos vistos nas fotografias. A iniciativa é criar uma comunicação interativa com a cidade que se perdeu ao longo do tempo, observando uma linguagem múltipla onde a arte é vista por todos os ângulos.

A exposição aconteceu na sexta-feira do dia 28 de novembro, às 18h, no Porto Iracema das Artes, e foi idealizada por 20 alunos. A tentativa foi de evidenciar a Arte Urbana na cidade, visualizando sua perspectiva arquitetônica sobre os contextos artísticos inseridos, como o streetart, além de outras manifestações. 

“A arte urbana sai da lógica dos museus, das galerias, dos curadores, construindo um diálogo com a cidade. São todas as inscrições, colagens, grafites e pluralismos, ou seja, são apropriações cujo caráter desdobra dessas propriedades à dimensão usual da cidade, de equipamentos e serviços. A Arte Urbana faz com que você contemple a cidade a partir de uma dimensão estética, de um deslocamento da sua percepção, recriando usos e gostos sobre as paisagens, fazendo com que se torne uma superfície de escrita”, menciona a professora Glória Diógenes, responsável pela mostra da noite.

IMG_2893 - CopiaA poluição visual é marca assinada nas maiores capitais do Brasil. Fortaleza não é diferente, são 2 551 805 de habitantes, conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013. O número nos chama a atenção para a grande escala presente na capital, ao mesmo tempo que fomenta a pergunta do que realmente tem a dizer a Fortaleza Bela, slogan da ex-prefeita Luiziane Lins. A esta pergunta nos respondeu a professora Glória Diógenes, pesquisadora em Arte Urbana, e que estudou a disciplina ano passado em Lisboa, uma das cidades fortes no tema.

“Fortaleza tem a voz das pichações que, no geral, são consideradas poluição. É uma forma de inscrição urbana, uma forma de linguagem cifrada. Ela tem a dizer que muitos desses atores que se inscrevem também fazem parte da cidade. Se olharmos para a cidade inteira percebemos uma linguagem e inscrições múltiplas por toda parte. Você vai ver o grafite, escritos políticos, recados de amor em todos os lugares dentro do que chamamos de arte de rua. Tudo isso é streetart e foge do modelo e juízo de gosto dos museus, o que faz a arte mundana, tornando-a próxima das pessoas, onde o artista é qualquer um dos mortais. O artista pode ser você, pode ser eu, e a cidade torna-se uma página em branco e um lugar de apropriação simbólica”, esclarece a Glória Diógenes.

IMG_2917A grande reflexão da exposição está diretamente ligada ao hábito esquecido de fazer uma leitura por meio dos sentidos. As imagens coletadas pelos alunos em quatro meses de trajetos são resultados dessa comunicação decodificada pelo olhar espectador do que se visualiza nas ruas. A ideia é incentivar a ‘leitura visual’ para as linguagens e percepções intra e extrassensoriais.

“Nós estudamos os lugares, os autores e os alunos não são levados e contaminados pelo fazer e acontecer urbano. A cidade é livre, é um livro aberto, emancipa e aflora qualquer rito de proibição. Ela é de todos e assim deve ser vista e lida. Aqui existem leituras diversas, você tem o que seu olhar captar: se é pornográfico, inquieto ou contra a política e o Estado. É o teu olhar que constrói o escrito. A imagem te faz pensar e te convoca a ser um coautor. Quando se capta algo passa a ser cúmplice do meio”, afirma ainda Glória Diógenes.

O momento abriu espaço para os visitantes compartilharem suas imagens em pendrive ao longo do evento. Cada um participou do encontro revelando o que sente, curte, sofre, pensa e ignora pelas andanças nas ruas da grande Fortaleza.

E você aí, o que te diz Fortaleza?

11219059_536702383147475_4434980115997658297_n Por: Lima Sousa/ Editação: Lima S./ Revisão: Janaína Gonçalves/ Fotógrafo: Davi Costa/ Agradecimentos: Porto Iracema das Artes/ Glória Diógenes. 

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