In Foco: Lindebergue Fernandes

Fotos: Camilla Campos
Fotos: Camilla Campos

Responsáveis por influenciar a personalidade masculina e feminina e criar tendências na maneira como as pessoas se vestem, os estilistas cumprem essa tarefa há décadas com a finalidade de inovar o guarda-roupa das pessoas, gerando a cada temporada uma nova forma de caracterizá-las. 

São profissionais ligados diretamente ao mundo glamouroso no qual a criatividade é levada em conta em todos os processos de uma coleção. Há quem pense que, somente ilustrando croquis, a vida de um estilista é moleza.  Enganou-se! 

Nos dias atuais, algumas funções no mundo da moda foram sendo recicladas, abrindo espaço para a modernização. A costura artesanal, vista anteriormente na construção das vestimentas, não é tão presente em tempos modernos. 

Constantemente, o estilista cria com base em pesquisas aprofundadas nos dados globais: sociológicos, psicológicos, modelagem, desenho, história da moda, entre outros.

Atualmente, a moda está democrática. Ela mudou ao que era antes. Você não é obrigado a seguir uma tendência em destaque para ser considerada uma pessoa de estilo. A moda atual te oportuniza a ser livre sem precisar seguir ao que os editoriais e revistas estão impondo”, diz Lindemberg Fernandes, estilista cearense. 

camillacampos-3Essa mudança vem desde a década de 1950 com a grande produção em massa, que trouxe o advento do setor de negócios. O profissional da moda do novo século tem uma vasta atuação nos setores em que se desdobram as áreas de negócios (marketing), design (desenho de moda), estamparia, acessórios, compras, vitrinismo, design de interiores, figurinista de cinema, teatro e televisão etc.

Toda essa mudança implicou a nomenclatura do ofício, sendo hoje identificado como ‘Design de Moda’, mas com o mesmo significado. A diferença é a ampla atuação nos setores de mercado da moda.

Com 20 anos de carreira consolidada na moda, o começo não foi tão diferente para Lindebergue Fernandes, que teve seu início profissional como assistente de estilista em Fortaleza.  O estilo do seu trabalho é marcado pelas histórias regionalistas do município de Cedro, em Várzea da Conceição, local no qual passou sua infância.

Lindebergue Fernandes traz a essência das raízes nordestinas em todo o contexto criativo de suas coleções. Sua preocupação está no resgate dos valores culturais presentes no Ceará, assim como em outras regiões do Nordeste. Sua busca é explorar os aspectos regionais, as práticas e os costumes de cada povo que, ao longo do tempo, estão se tornando utopia. 

Os meus desfiles contam histórias fincadas dentro de uma linguagem emocional em que as roupas narram uma situação e passam uma simbologia sentimental. A minha casa era toda regional, com toalhas de crochê, as cadeiras eram forradas no couro de cabra, eram quadros de vários Santos na parede da minha mãe–muito religiosa. Era o meu universo. Pensei:‘Por que não expressar isso?’. Eu não quis seguir a linha do internacional buscando o moderno.  Ficar vendo o futuro, do plástico e da prata” , explica Lindebergue.

O estilista é destaque no Dragão Fashion Brasil participando há 14 anos do evento mais aguardado no Ceará. Fiel ao seu público feminino e masculino, ele mantém o desejo de continuar criando para ambos, mas confessa que vê a possibilidade de migrar para o masculino, já que as chances cresceram e o homem vem tentando melhorar o seu marketing pessoal.

Hoje os homens estão desejando melhorar o estilo. Se um jogador usa uma camisa de estampa feminina todos eles vão aderir à ideia, pois ninguém vai duvidar da masculinidade pelo fato de ser um símbolo do futebol. Ele está deixando a carapuça de ser o machista nordestino. Tem mais informação e deseja se vestir bem como a namorada ou a esposa”, afirma. 

Fazendo um balanço da entrevista, encontramos no seu discurso os resquícios de uma insatisfação que vem acometendo o futuro da moda.  A vaidade vem ganhando terreno e diminuindo o número de costureiras que estão isolando a carreira e assumindo outras funções no mundo fashion. É algo preocupante e o que se sabe, para a resolução no momento, é sobre o investimento de cursos nas instituições.

Para fazer uma roupa de passarela tem que ter muito amor e a costureira precisa casar com o estilista”, esclarece.

camillacampos-2 - CopiaA fama do universo fashion é conhecida pelas modelos que exibem o culto à magreza, tanto vista nas passarelas como em editoriais. A dúvida que fica é: de onde começa essa exigência? Dos estilistas ou das agências? Com a oportunidade de estar tão próximo de um profissional rodeado por modelos, perguntei a respeito de uma das minhas curiosidades, assim como a de muitas pessoas. Não sei se todos têm a mesma atitude de Lili, como o chamam (aproveito para familiarizar-me com o tão queridinho de todos),pois a sua opinião confortou-me o coração e percebi a forma humanizada que leva na profissão.

Eu trabalho com pessoas reais. Gosto de pegar modelos que tenham atitude e alguns traços de minhas propostas. Eu crio para pessoas normais, do mundo real”, finalizou.

11219059_536702383147475_4434980115997658297_n Por: Lima Sousa/ Edição: Lima S./ Revisão: Janaina Gonçalves/ Fotógrafa: Camilla Campos/ Agradecimentos: Assistente de produção: Natália Escóssia/ SENAC/ Porto Iracema das Artes.

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