Raimundo Eufrásio – Retalhos de Minh’Alma

Foto: Yago Albuquerque
Foto: Yago Albuquerque

O livro Retalhos de Minh’Alma conta a história de um dos grandes jornalistas e escritores do Ceará, Raimundo Eufrásio Oliveira, mais conhecido por Radésio Serrano, seu pseudônimo usado na imprensa escrita do Estado. Nascido em 28 de setembro de 1916 no município de Ubajara, CE, a 304km de distância da capital, o autor elaborou a obra biográfica no ano de 1989 após suas pesquisas por meio de depoimentos de antecessores, assim como dos fatos guardados em sua lúcida memória. Como principal responsável pela realização tem sua filha Cristiane Eufrásio, que, desde o início, teve a ideia de transformar os manuscritos deixados por seu pai na obra que revela as recordações de seu passado longínquo.

“Eu decidi reformar o túmulo do meu pai e ao tomar essa iniciativa fui mexer por coincidência nos arquivos dele, quando encontrei o livro que ele tinha escrito em 1967. Então, reuni todos esses arquivos para lançá-los na obra que traria a renda para o objetivo final, a reforma do seu túmulo. E assim eu fiz”, disse a filha Cristiane Eufrásio.

O autor é filho do casal Joaquim Eufrásio de Oliveira e D. Jovina Maria de Jesus Eufrásio. O exemplar é uma publicação in memoriam de sua pessoa pela dedicação de amor filial aos seus genitores, especialmente ao pai, que pouco conheceu e que, no fim da vida, partiu no momento em que o filho pediu a sua benção definitiva.

“Este trabalho foi organizado por mim, Raimundo Eufrásio Oliveira, o qual escrevi, executei, editei, escriturei este estranho, esquisito, exótico, errôneo, estafante e emaranhado. Estou estudando esta edição especial extra”.

Cristiane Eufrásio/ Foto: Anderson Rocha
Cristiane Eufrásio/ Foto: Anderson Rocha

No palco cearense, exerceu importantes versões consolidando-se na carreira ao assumir o cargo de ‘Agente de Estatística’ como funcionário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), principal órgão federal provedor de dados e informações do país. Na capital, ele apresentou os seus artigos e as crônicas de cunho social nas páginas dos principais jornais da época, como: Correio do Ceará, Unitário, Tribuna do Ceará e o atual O POVO. Cumpriu a função de Secretário do Centro de Estudos Históricos e Antropológicos do Estado do Ceará e acadêmico de Letras na Academia de Letras Municipais do Brasil e pela Academia Sobralense de Estudos e Letras. Ao longo de sua vida essas foram algumas das atividades responsáveis em tecer as partes que viriam a unir Retalhos de Minh’Alma.

Dentre as obras publicadas por ele estão Sinopse do Museu Histórico e Antropológico do Ceará, uma breve apresentação sobre o espaço e suas demarcações; Sobral – Preeminência na História do Ceará, uma visão geral sobre a cultura sobralense; e Páginas de Ouro da História, ainda não editado.

“O papai gostava muito do anonimato. Ele expressava todos os seus sentimentos em tudo que escrevia, então, ele gostava de ficar no anonimato para não se expor tanto, principalmente no jornal que é muito lido, por isso, o pseudônimo foi adotado no impresso”, afirma Cristiane.

Possuidor de uma rica escrita, fez do ofício uma ponte em defesa dos valores genuínos. Seus artigos revelavam uma voz peculiar de ministério, o estilo de homem cristão que é confiante em Deus e na Igreja católico nato por natureza. No jornal Correio do Ceará, numa quarta-feira, dia 09 de julho de 1975, ele estampou uma crônica intitulada“Duas filhas, duas santas”, nela, o autor expressa a grandeza do verdadeiro amor paterno por suas filhas Cristiane Eufrásio e Margareth Eufrásio.

Anderson Rocha
Anderson Rocha

“Duas mimosas margaridas, duas inocentes rosinhas do jardim do meu amor. Duas pérolas distintas que esplendem risonhas na vitrine das minhas esperanças mais douradas. Margareth e Cristiane são duas princesas angelicais que ornamentam com suas graças, deslumbram com sua vivacidade infantil, encantam com seus sorrisos e deleitam com a meiguice pura das santas dos altares, a vida oscilante do seu progenitor”.

O seu trabalho foi um legítimo ensaio de arte nos momentos dedicados à expressão do amor a Deus, à família, à pátria, à cidade, aos amigos e, principalmente, ao próximo. A humildade, sem dúvidas, era seu guia espiritual em vida e esta, por sua vez, não compõe infelizmente o talento de todos os artistas. Ela fez do seu nome a verdade sem fim, pois os grandes, verdadeiramente, não morrem jamais, eles são eternos.

Por: Lima Sousa/ Edição: Lima S. /  Agradecimentos: Revisão: Janaína Gonçalves/ Fotógrafos: Anderson Rocha e Yago Albuquerque/  Entevistada: Cristiane Eufrásio/Local: Bistrô Vinyle Café: Rua Waldery Uchôa, 42 – Benfica, Fortaleza.

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