A essência de uma Lady

O ar boêmio do Mercado do Café deu lugar para um papo super descontraído ao lado de Ângela Escudeiro. A artista e escritora fala nesta entrevista dos prêmios conquistados na carreira, a recente viagem pela Europa, inclusive, o que pensa a respeito dos artistas do cenário alencarino.

Por: Lima Sousa / Fotógrafo: Anderson Rocha

Coluna: Entrevistas

A artista desta entrevista é escritora, roteirista, produtora cultural, diretora de teatro, arte-educadora, cineasta, atriz e bonequeira por excelência. É isso mesmo, atriz-bonequeira que, com muita seriedade, dá vida aos bonecos no programa “Nas Garras da Patrulha” desde 2015, na TV Diário, canal 22, na época, convidada por Garcia Junior. Sua equipe de manipulação é formada pelos bonequeiros, Renato Severo, Ivanildo Pereira e Cleomir Alencar sob a sua responsabilidade, com direção de Fábio Nobre. 

Ângela Escudeiro é uma mulher cuja natureza esbanja a classe de uma Lady, em pessoa. Tanto é que o seu perfil feminino elenca a boa postura, bons modos à mesa, a elegância nata (educada e delicada), uma make-up impecável, cabelos bem tratados, os finos óculos escuros no rosto, acessórios de bom tom e um estilo marcante. Para completar a lista, vale lembrar as unhas no vermelho habitual, por sinal de chamar a atenção, insinuando os cuidados que recebe da sua sala “Arte Lucíola”,cuja criação é em homenagem a sua mãe, Lucíola Escudeiro; porque ser Lady todo dia, meus caros (as), não é para qualquer “UMA”. De cara, essas são algumas de suas notáveis referências que expressam a persona de uma profissional versada de arte e cultura, e que, além de ser muito estimada, tem como favorita a citação: “Quando eu partir, por gentileza, joguem as minhas cinzas ao vento sobre o MAR. Para que as ondas possam o meu amor pela vida carregar. E que os peixes, algas e sereias dancem comigo a felicidade de poder a vida continuar. Talvez, quem sabe no fundo desse mesmo MAR”. A frase é de sua autoria e traduz a essência de sua própria natureza de ser: Mística. O que Ângela Escudeiro tem de sobra, desde sempre.

Senhoras e senhores, a narrativa a seguir sintetiza o percurso de uma atriz devotada à arte de fazer teatro de ator e espetáculos com os bonecos no palco cearense sem poupar sequer um pingo de humor, criatividade e no caso do programa que participa na TV Diário, muito charme nos intervalos das gravações. Mas, o que a faz digna do título “Uma Lady cearense” são os destaques de sua própria carreira que denotam trabalhos, prêmios, cargos e participações de referência no eixo artístico e cultural. Longe de fazer a ficha técnica da atriz-bonequeira, atrevo-me a (re) produzir o insumo do que ela representa para a classe dos artistas no Ceará.

Ângela Escudeiro é Graduada em Letras pela UECE, Pós-graduada em Arte e Educação pelo CEFET, tendo estudado com o professor e diretor Lauro Góes na UFRJ e participado do Grupo Tule. Integrou a oficina “Escuela Internacional de Teatro de la América Latina Y El Caribe” – (EITALC) no México, com os professores Luís de Tavira, Jean Marie Binoche (pai de Juliette Binoche) e José Sanchis Sinisterra, além de duas oficinas em Fortaleza e no Cariri com Maurice Durozier e George Bigot do “Theatre Du Soleil”, sendo escolhida por eles para dirigir a Trupe da Lua.  Tem participação em mais de 40 Festivais de Teatro e Teatro de Bonecos nacionais e internacionais, integrando eventos e festivais.

E não para por aí, porque a Lady também soma ao currículo o DRT de atriz, bonequeira, Diretora de teatro e Produtora cultural. Participou de festivais em países como: Espanha, Portugal, Suíça, Itália, Argentina, França e outros. Um insumo profissional de experiências renomadas só na primeira parte do caldo; isso porque Escudeiro também é autora de 10 livros publicados, atuou em filmes como “O Quinze”, inspirado na obra homônima de Rachel de Queiroz, com direção de Jurandir Oliveira, além de outros filmes como atriz. Enquanto “Escudeiro Produções Artísticas”, contribui fazendo produção, co-produção, produção associada, assistência de direção e preparação de elenco, alguns destes trabalhos ainda em edição.

Com vinte e quatro prêmios recebidos em várias categorias, foi fundadora e primeira presidente do SATED – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Ceará. Foi presidente da ABTB – Ceará e membro da Academia Feminina de Letras do Ceará. Além disso, foi Comissária da CNIC – Comissão Nacional de Incentivo à Cultura – MINC, entre 2013 e 2014, e fez o programa “Algodão Doce” (TV Diário), no qual mais uma vez os bonecos assumiram a cena, animando o público infantil da cidade. Logo após, fez uma série de apresentações com esses mesmos personagens-bonecos pelas escolas públicas da capital cearense por meio da TV Diário.

Em 2016, estudou Cinema na “Casa Amarela Eusélio Oliveira” e, neste ano de 2017, estudou Roteiro cinematográfico na “Escuela Internacional de Cine Y Television” – EICTV em CUBA, bem como Roteiro de série para Televisão, em Salvador, com Julia Priolli.

Atualmente, cursa Pós–graduação em “Gestão Cultural” no “BSB – Instituto de Capacitação Business School do Brasil”, e mantém a rotina na direção da equipe de manipulação de bonecos no programa da TV em que está contratada.

A seguir, e em primeira mão, o néctar que interessa ao sabor dos mortais sobre o que pensa ‘Uma Lady’ e atriz-bonequeira. E mais, a recente viagem que fez a Europa, onde declarou ter ido apenas para tomar um cafezinho em Paris, a realização profissional, sua rotina, o que pensa sobre os impactos na educação brasileira e outras coisas mais, porém, resguardou-se de comentar a respeito do Longa-Metragem “Se Arrependimento Matasse”, ainda em ensaios, na função de atriz, com direção de Lilia Moema Santana, por não poder falar [nada] sobre a trama do filme.

Por último, “uma boa parcela” dos leitores não tem a mínima noção de quem estou falando. Porém, não se atreverão a ter nenhuma dúvida a respeito de Â.E após ler esta entrevista.

P.M.A – Hoje em dia exige-se muito do currículo de um profissional. Com relação ao currículo do artista não é diferente, tendo em vista o tempo de carreira, atuações no teatro, TV, cinema, comerciais, premiações, e outras habilidades artísticas. Diante disso, sendo uma artista cearense, como você se define ao sintetizar um rico portfólio onde atua como atriz-bonequeira, arte-educadora, diretora teatral, escritora e roteirista?

Â.E – Nossa! Mãe do céu… Olha, é interessante porque cada pessoa me percebe de uma forma diferente. Mas sempre tem essa coisa da delicadeza, isso é habitué. Eu sempre digo: eu sou aquilo que as pessoas acham que sou. Eu sou como me veem. Alguém já deve ter dito isso (risos). Mas desde pequena eu sempre pensei assim. Quando alguém dizia: Nossa! Você é tão delicada, tão suave. Eu sempre respondia: “são seus olhos”, como tinha aprendido com a minha mãe. Em tudo que a gente falava de bom ela usava essa expressão.

Então, assim, eu sou “dinâmica, ativa”, porque a única coisa que eu faço na vida é trabalhar em prol da minha arte. É cumprir com a missão que fui predestinada a realizar nesta vida. Eu me dedico a todas essas funções e todas as artes que me vêm, ou seja, todo o talento que eu puder trabalhar e que está em mim porque talento e dom é algo que não se dá, que não se empresta ou compra, você nasce com ele e desenvolve, ou não. Eu procuro desenvolver cada vez mais. Ao longo da minha vida eu sempre fui me dedicando e tentando me aperfeiçoar. Embora eu saiba que a perfeição só existe em Deus.

P.M. AE aqui não é lugar de perfeição.

Â.E – Aqui não é lugar de perfeição, porque senão, não seria este grande hospital onde todos nós viemos nos cuidar e tentar evoluir. Eu não gosto nem de dizer essa palavra,‘tentar’. É realmente evoluir no sentido de crescer espiritualmente, de se melhorar e se curar porque todos vieram com problemas para serem tratados. E que, com o tempo, a gente pode até adoecer mais, ou pode se curar, mas não totalmente.

P.M.A – O que nos diz sobre seu outro lado?

Â.E – Ah, Ângela Escudeiro quando quer descer do salto, ela desce. Mas sempre desce com classe. Eu não sou somente uma coisa. Aliás, todos nós não somos só bons ou só ruins. Nós não temos só o lado de luz, temos também, nosso lado escuro. Então, eu faço o possível para que esse lado de luz se ilumine cada vez mais. Porém, eu sei ser grosseira, e dar respostas à altura quando sou ofendida ou quando alguém tenta me passar a perna. Às vezes eu posso até ignorar, porque me sinto melhor quando ignoro. Mas, quando tenho que dar aquela resposta (x)… Ah, pode apostar que eu dou (risadas prolongadas).

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