Liberdade Pra Ser o Que Quiser

Bruno Olly diz que “todos podem ser o que quiserem ser, desde que se sintam livres para isso”. O fashion designer da Attofavo segue apostando em “liberdade de expressão” e fala do atual momento de transição na moda. Confira a entrevista completa.

Por: Lima Sousa/ Fotógrafo: Hugo Digenário

Coluna: Entrevistas

A arte de rua se encontra notadamente no trabalho do designer de moda Bruno Olly. O parnaibano que comanda a marca ATTOFAVO tem seu traço marcado sob o cenário urbano da cidade. É ele que tem o dom de transformar ruas, becos, avenidas, praias e prédios num verdadeiro espetáculo de moda masculina de tirar o fôlego. Desde que assumiu o posto criativo da marca, Olly tem feito da moda Agênero o seu carro-chefe. Pra quem não sabe, Agênero é o novo Unissex da década passada, e hoje, reaparece de forma mais irreverente no vestuário. A tendência, que se popularizou no mundo fashion dando a liberdade de se vestir, faz parte do seu conceito criativo que explora looks feitos para homens, mas que podem ser usados livremente por mulheres. É por isso que em terra de fashionista quem usa ATTOFAVO se destaca. Mas também provoca, e como provoca. Certamente, ninguém fica de fora porque o fashion designer usa a criatividade para todas as tribos. Sobretudo, quando aposta em inclusão e liberdade de expressão. Ele é ‘Fora do Sério’.

Para início de conversa, já tem um tempo que o designer reside na capital Fortaleza. Apesar de estar longe do seu porto seguro, a família, foi a Moda que o segurou no lugar onde muitos escolhem viver, fazer negócios e crescer profissionalmente. Neste caso, então, já estava mais que escrito nas estrelas: Bruno Olly tinha mesmo seu sucesso garantido em terras alencarinas. Bastou colocar os pés na cidade para o designer ascender no circuito fashion local. No estalar de dedos? Im-pos-sí-vel! O sucesso é uma condição que não dá saltos. Por isso, sem pular etapas, o diretor criativo da ATTOFAVO segue até hoje colocando em prática o que aprendeu com os mestres do IDEEC – Instituto de Desenvolvimento, Educação e Cultura do Ceará. Sua grande amiga, Emily Dourado que o diga. A parceira auxilia no ateliê todas as manhãs ao seu lado para dar conta do recado. E como diz o ditado: “Por trás de um grande homem, sempre tem uma grande mulher”, confirma a sua indispensável presença no trabalho em dupla. Ainda mais agora sendo sócia da marca. Dourado é suspeita pra falar, mas se depender da extrovertida e de mais um time de gente que há por trás, Olly só tende a ampliar seus horizontes. Nesse ritmo, ele já construiu um currículo de peso na carreira, tendo participações em eventos e concursos importantes da cena local. Em 2014, a coleção “Vaqueiros -um Sertão de Riqueza e Prosperidade” foi destaque no Concurso dos Novos do Dragão Fashion Brasil, em parceria com a Faculdade IDECC, juntamente com uma equipe de seis alunos representando o curso Designer de Moda. O sertão nordestino ressurgiu no Preto e Magenta sem perder seu ‘posto agreste’, – looks casuais ganharam boas doses de modernidade sob a silhueta feminina e masculina. No mesmo ano, reaparece na vitrine do Concurso Sindi Têxtil com a coleção masculina ‘O casulo do Tempo’, destilando doses de Futurismo na passarela. Em 2017, ele retorna ao posto das passarelas com a sua primeira coleção masculina “MILLENNIALS LOVE”, que marcou no evento Runnuay.  Foi a sua primeira coleção masculina autoral, na qual teve a ousadia de inserir uma transsexual no casting de modelos.

Portanto, é a palavra ‘audácia’ que melhor lhe define como profissional focado em tudo que faz, até mesmo quando está fora de cena. Olly é o tipo de designer multimídia, ou melhor, aquele que assume boa parte dos trabalhos e está conectado com tudo que diz respeito à marca. Do seu olhar, nada passa despercebido. É por isso mesmo que seu nome já ganhou notas em revistas e jornais da cidade, passando pelo crivo de personalidades de referência local, como o jornalista Diego Gregório e o apresentador Edgel Joseph.

Uma coisa é certa: todas as evidências traduzem os atributos de um profissional que revela sofisticação em tudo que faz na moda, sobretudo, para o seu público-alvo: os homens. Ainda mais agora com a loja física, inaugurada no semestre passado de 2017. O ambiente insinua a elegância da marca com o mix de urbanidade que faz lembrar a Nova York contemporânea, mas que também nos reporta para a década de 90. As araras dispostas no espaço convidam a todos para um vislumbre de peças super desejadas, desde Jaqueta Bombers, T-shirts, Croppeds masculinos, Moletons, Veludos, Transparências, Shortinhos e Macacões. E é nesse ambiente super descolado que fomos saber o DNA da marca que vem conquistando seu lugar à luz do sol. Quem conta para nós é o próprio Bruno Olly. Confira a entrevista.

 

P.M.A Existe um outro significado para a marca além do nosso exame, isto é, como você definiria o DNA de homemmulher Attofavo?

Bruno Olly – O nosso DNA se resume no homem e na mulher que buscam um estilo mais independente, livre dos padrões, classe social e principalmente de orientação sexual. Investimos no conceito de modelagens oversized e longline onde o público em geral tem a chance de se vestir com total autonomia. Por isso, quem usa a marca tem a ‘Liberdade’ de ser o que quiser; isso é vestir Attofavo.

P.M.A – ‘Liberdade de Expressão’ define bem o seu trabalho dentro da Attofavo. Nota-se sutilmente uma característica de ‘moda-manifesto’ através dos seus looks e ensaios. Uma de suas coleções abordou o tema ‘diferenças’, estampando frases, como: “A cura do preconceito é mais educação, amor e cultura”. E além de vender estilo, a marca mostra-se também preocupada com a quebra de preconceitos e manter a igualdade entre as pessoas, é isso?

Bruno OllySim, a Attofavo traz essa mensagem sutilmente nas peças. Buscamos pelo respeito às diferenças nesse mundo. Hoje em dia o mercado da moda vem se comportando completamente diferente, no sentido de que ela está apostando em tudo e em todos. Dessa forma, oferecer um produto associado a uma história, causa e um tipo de público faz toda a diferença na hora da venda. É nisso que estamos apostando, assim como outras marcas estão de olho com certa frequência, porque não se vende mais uma peça de roupa isoladamente. E tudo isso agrega valor ao produto porque no final representa um ponto importante para o nosso trabalho.

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