O que pode um homem dizer sobre si?

Colunista: Júnior Ratts | Fotógrafo: Claudemi Santos

O que poderia ou pode um homem escrever sobre homens? Muitas coisas, obviamente. Contudo, creio que a primeira e mais urgente das invocações textuais a serem feitas é revelar que, ao contrário do senso comum, o homem não é (e nunca foi) o dono da história. O homem é e foi, isto sim, um conceito forjado pela narrativa histórica. Em outras palavras, a história precisava de alguém que lhe levasse adiante e escolheu o homem como seu guia impávido e majestoso.

O que perdemos neste percurso? Toda nossa impávida e majestosa subjetividade. Afinal, que guerreiro, monarca ou qualquer outro tipo de líder ou grande representante de seu tempo poderia se dar à liberdade de chorar? Ou de reclamar de sua própria imagem? Ou de chorar as estrias e olheiras? Li em um livro do grande sociólogo Norbert Elias que o grande gênio da música Mozart sofreu durante toda a sua vida, dentre outros fatores, por nunca ser amado e por se sentir feio. Contudo, Hollywood o retratou em “Amadeus” como um homem alegre e amado. Por quê? Porque são as histórias alegres aquelas que mais vendem (principalmente se elas estão a retratar os “grandes” homens). E nessa confusão entre o que é história real e ficção, mistura-se tudo e daí surge o mito da constante felicidade masculina. Felicidade que atravessou séculos através das artes e de tantos outros mecanismos que “empoderaram” os homens, ao passo que lhes “presenteava” uma realidade cultural e social repleta de coerções.

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