As manias de um anjo caído

Por: Lima Sousa – Ilustração: Zeh Ribas 

Não vou mentir que anjos e demônios existem em mim. 15226395_1233934110006553_902110273_nÉ da natureza humana a dualidade como herança dos genes. Todo homem traz em si um lado bom e um lado mau. Uma parte branca e a outra negra.

Afinal, dessa realidade estou mais certo que duvidoso. Por que haveria de ser diferente comigo? 

Não há nada demais em mim, quanto mais de especial, senão, apesar de toda sorte, ser um agregado impuro da raça humana. Sorte nada, é destino nosso, dos homens e de todos que se arrastam nas areias do tempo. 15175348_1233938793339418_274555879_nPara que desejar a sorte incerta, efêmera e sem dono? O fado insípido de toda sina, de cada lida, de toda rotina é matar friamente o grito da vida. Demos o adeus aos anjos, ao céu ingênuo da vida, ao lado simples de tudo e trocamos o bom pelo gosto do fel. Acordaram-se os anjos caídos. O anjo mau da ‘calada da noite preta’ anda solto pela cidade.  

Ronda a noite o anjo insaciado sem noite dormir, sem noite de amor, sem noite de amar, gozar e deleitar. 15208994_1233936126673018_2126829928_nA quem, acolá, aqui e sem sossegar. Indomável pela própria natureza de ser, sentir, desejar, querer e urrar. Ele busca nas ruas, becos, guetos e sem descansar. Faz gestos de rua para melhor passar. Cria caras e bocas de endoidecer. Corre os becos, pula os muros, faz estrépitos de manias e duetos sem gemer. Faça chuva ou faça sol, noite e dia, frio ou calor, inverno ou verão. 15226395_1233934110006553_902110273_nNão há freios nas manias de um anjo Libertino. Quem não tem um desses, não negue, melhore um dia ou quando quiser. Ninguém é 100% santo que não tenha sentido o gostinho da fantasia. Tenho disso, não nego, melhoro quando posso. E aí, vão me lançar na fogueira?

Que dizer dos incautos anônimos do passado, sem rastros, sem sombras ou sinais digitais? Para quê, então, o excesso de minha empáfia? O que passou, passou! Uma coisa é certa, deixar meus demônios dormindo na eternidade foi a melhor das receitas, ou melhor, um santo remédio. Desconheço anjo caído metido à reza. Soltá-los seria cometer um grande desatino de minha providência. Senhor Freud, dispenso o divã!

Há tempos a roupa suja despiu-se de seu Conrado selvagem. Agora, sou Aurora! Só não tenho como negar o meu passado.

Revisado por: Janaina Nascimento – (Olhos de Lince) /Agradecimentos:Ilustração: Zeh Ribas/ Vinyle Café: Endereço: Rua Waldery Uchôa, 42 – Benfica/ Studio Colibri por:Valne Colibri.