Exposição ‘Luz e Sombra’, do fotógrafo Christian Cravo revela África Monumental

“Eu quis entrar na África como um grande ambiente único e poético, onde iria ter a possibilidade de construí-la de forma que estaria mais ligada a minha necessidade de autoentendimento e contemplação…”

Por: Lima Sousa | Fotógrafo: Lucivan Moura

Capa: Foto de divulgação | Coluna: Arte-cidade

 “A fotografia tradicional ainda precisa do suporte em papel para existir. Caso contrário, é apenas uma imagem”, disse Sebastião Salgado – fotógrafo brasileiro reconhecido mundialmente por documentar cenas da realidade. Tal frase afirma a exposição “Luz e Sombra”, do fotógrafo Christian Cravo, que explora um cenário de imagens em preto e branco pela famosa África. Distanciado de fazer qualquer trabalho documental, Cravo imprimiu seu olhar poético, plástico e contemplativo para revelar os fragmentos de animais e paisagens pelo continente africano. Seu longo percurso ao continente, passando por Namíbia, Zâmbia, Botsuana, Quênia, Tanzânia, Congo e Uganda, resultou num rico ensaio em que é possível encontrar Luz e Sombra, Melancolia (isolamento) e a Ausência de pessoas na série de fotografias.

A exposição já percorreu instituições icônicas, sendo exibida na galeria Throckmorton Fine Art, de Nova York, (2012), no Museu Rodin Bahia, de Salvador, (2014) e no Museu Afro Brasil, de São Paulo, (2015), esta última foi premiada como a melhor exposição fotográfica do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Na sequência, ‘Luz e Sombra’ agora se encontra sobre solo cearense no Museu da Fotografia Fortaleza com 29 imagens para deleite do visitante. A mostra foi inaugurada no último dia 10 de março, comemorando um ano de funcionamento do MFF e estará disponível até o mês de Julho de 2018.

No auditório, diante de uma sala completamente lotada, o artista-fotógrafo concedeu uma palestra para o público, demonstrando serenidade e um ar de modéstia, aparentemente. Cravo fez um relato sobre sua experiência pelo continente africano e deu detalhes sobre sua notável obra, onde expõe seu olhar sensível e profundo do que ele traduziu numa África Monumental. Ao final, respondeu várias perguntas da plateia com bastante humor. Abaixo, o leitor poder conferir os melhores momentos do encontro divididos por temas.

Foco / herança estética

“Eu sempre foquei na natureza humana. Meu principal objetivo na fotografia é de fazer uma síntese visual do ser humano (isso se dava muito através de manifestações religiosas). Eu passei 20 anos da minha vida fotografando manifestações religiosas ao redor do mundo, principalmente no Brasil, Índia, e por último, foi no Haiti onde realmente encontrei um equilíbrio estético que eu vinha buscando durante décadas, antes disso. Num país oriundo de tradições africanas, conseguia me entender como pessoa, porque eu nasci na Bahia e foi onde me criei jovem, apesar de ter morado durante toda a minha adolescência na Dinamarca; a Bahia sempre foi o lugar onde ia passar minhas férias e onde ia buscar inspiração. Foi a partir daí onde eu resolvi começar a fazer fotografia. Então, toda a estética herdada pela África compôs de forma fundamental o meu trabalho ao longo de vinte anos.

Construção ideológica: a natureza fotografada em Preto e Branco

“(…) Uma das primeiras tendências que eu identifiquei, sendo de grande interesse nesse projeto, era primeiramente fotografar uma natureza não ortodoxa. Nós já estamos acostumados a ver a natureza geográfica em grandes revistas sendo abordada de forma muito técnica. Elas preferem mostrar o momento se sobrepondo à imagem, ou seja, aquilo que está na imagem se sobrepõe à maestria artística.

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Um porto seguro na hora de dar à luz

Um diálogo sobre a função da Doula para as mulheres que buscam viver o parto humanizado

 Coluna: Minha praia é 

Por: Lima S. | Fotógrafa da Entrevista: @Ana Hélia

Na sala de parto uma mulher a parir diz: Eu vou gritar simmm pro meu bebê!

Eu acredito em você. Você consegue! Você é capaz!

Mantenha a calma, relaxe, e respire fundo. Vamos lá?! Um, dois e três, isso, mais uma vez. Agora, inspira pelo nariz e expira pela boca. Muito bem. Escute, irei falar baixinho: Você está indo super bem. Concentra. Esse parto é o seu momento. Acredite em você, no seu corpo. Olha pra mim. Eu acredito em você. Você consegue! Você é capaz! Mais que uma assistente de parto, sou sua amiga, seu amparo, seu colo, ou melhor, serei seu porto seguro. Já estamos quase chegando ao fim, falta pouco para dar à luz. O bebê está a caminho. Menos uma contração. Está cada vez mais próximo. Pronto, o bebê já nasceu.

A primeira impressão é que a médica está tranquilizando a gestante em trabalho de parto, quando na verdade, a fala é de uma profissional cuja função é dedicada à assistência a mulheres grávidas. A Doula é essa mulher que acompanha o período da gestação até o momento da grávida dar à luz. Ela está comprometida com a futura mamãe assumindo o papel de amiga, conselheira, e na maior parte do tempo é o ombro que acolhe as suas emoções. Na prática, o conjunto de técnicas utilizadas pela Doula no auxílio a gestantes é conhecido como ‘doulagem’, sendo a prática mais antiga para tornar o parto o mais humanizado possível; essa experiência de cuidados que se mantém antes, durante e depois do auge, – o nascimento do bebê – procede sobre o olhar da Doula que orienta neste momento tão delicado que é dar à luz uma nova vida! Tarefa que exerce muito bem a gaúcha Yorrana Farias, que mora no Ceará desde muito cedo e se sente ‘cearense de coração’. É ela quem abre este diálogo sobre a prática do parto humanizado que remonta os valores da nossa cultura.

Na verdade eu nunca pensei na possibilidade de ser Doula. Sempre a vi como uma profissional de muita responsabilidade nas mãos. Embora não seja sua função atender o parto com as intervenções técnicas, a demanda da Doula para com a gestante é outra, e mesmo assim já encarava como uma prática muito séria que não imaginava na minha vida, expressa Yorrana Farias.

‘Parto com Amor’

Ela não cogitava a possibilidade de um dia assumir o ofício de Doula, quanto mais se via parte da equipe ‘Parto com Amor’, composta por dois médicos e duas enfermeiras obstetras, por meio da qual atende às gestantes na capital cearense. A decisão de se tornar ‘Doula’ veio após a experiência do seu próprio parto. Na época,sem muito tempo para fazer os planos de como gostaria de viver o momento mais importante de sua vida, Yorrana Farias passou com muito esforço o trabalho de parto que aconteceu espontaneamente. 

Na varanda do Vila das Artes

Já que o meu parto não foi da forma como eu queria, tomando rumos bem diferentes, então pensei como seria bacana ajudar outras mulheres a ter um parto que eu não tive. Claro, respeitando a individualidade de cada uma delas, porque toda mulher é única. E foi aí que desejei proporcionar a elas um momento mais respeitoso, que fosse mais delas e pudesse desempenhar o seu papel da melhor forma possível,comenta Yorrana F.

Embora não tenha tido seu parto da forma desejada, isso não foi um impedimento para que, cada vez mais, Yorrana tivesse o desejo de ajudar mulheres a vivenciar seus partos de maneira ativa e respeitosa. Entretanto, ela se via convidada à missão mais antiga na história dos homens, tendo que reviver as cenas de quando concebeu o primeiro filho(a). Dessa vez, na vida de outras mulheres. E,de um jeito completamente diferente. A sua função seria amparar, sentir e ouvir a muitas e muitas mulheres da capital de fortaleza. Uma delas foi a Ana Nara.

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É De Comer Rezando

Um jeito de ‘Fazer’ doce totalmente diferenciado e que vai além da mesmice do dia a dia

Por: Lima S. / Fotos: Aldair Pereira

Coluna: É Tudo de Boom!

Creio que você já ouviu falar dos docinhos finos “De Comer Rezando”. É isso mesmo que você terminou de ler com todas as letras. Quem faz? O nome dela é Isabel Almeida, a filha da Dona Socorro e Mãe do Theo. Apaixonada por tudo que se relaciona a doces, ela encontrou a forma de ganhar dinheiro dentro de casa no que mais ama fazer na cozinha: tortas, brigadeiro e outras guloseimas. Uma prática doméstica que foi sumindo aos poucos do costume de muitas mulheres após conquistarem o mercado de trabalho. Não foi o caso da Isabel, que viu a chance de explorar o seu talento e teve a ideia de transformar o hobby em negócio. Ela descobriu que tinha jeito pra coisa e viu que a arte de fazer doces sob encomenda poderia lhe trazer retorno. Fato que se comprova com a doceria caseira que faz um enorme sucesso de vendas pela internet.  É a ‘De Comer Rezando – Doces Finos’, especializada em doces gourmet e feitos com ingredientes nobres.

“A qualidade dos doces faz jus à marca. São doces finos, feitos com muito capricho. O atendimento é feito pela proprietária da marca: rápido, gentil e cumpre prazos e qualidade. Estou na minha sexta encomenda e indico sem pestanejar! Os doces de churros, banana e morango são meus preferidos… O Brownie e os bolos de pote…nossa! Deliciosos, desmancham na boca! Literalmente é De Comer Rezando!!! Super indico”, diz LuannaTayrine.

O prazer de adoçar a vida das pessoas é feito com as próprias mãos da Isabel e de sua mãe que auxilia a filha na cozinha. Juntas incentivam um estilo que não é novo, mas que vem ganhando força nos últimos tempos. É o trabalho doméstico feito com as próprias mãos. E se depender da dupla, mãe e filha, a coisa só tende a crescer cada vez mais; Isso porque a doceria caseira pegou pra valer desde quando se lançou na internet. Ninguém resiste ao visitar a página do facebook e do instagram. É uma explosão de doces de crescer os olhos. Quem não nos deixa mentir são os próprios clientes que curtem o perfil nas redes sociais. 

“É a minha segunda vez que faço encomendas no ‘De Comer Rezando’ e fico satisfeita com o sabor, a estética, a pontualidade e o toque mais doce de afeto! Esse trabalho eu indico de olhos fechados e de boca aberta….saboreando sempre! Parabéns, D. Socorro e Isabel Almeida! É de comer rezando mesmo”, diz Zuleica Araripe.

Um jeito de ‘Fazer’ doce totalmente diferenciado e que vai além da mesmice do dia a dia. Isabel dá aquele toque especial que foge das grandes docerias e que só ela e a mãe têm o segredo. A gratidão é palavra mágica que ambas recitam enquanto estão na cozinha fazendo os doces finos para encomenda. A estética usada cria todo um cenário que se compõe de decoração, flores, lacinhos e até caixas personalizadas do tipo ‘GRATIDÃO’ e ‘TPM ALÍVIO’ – uso oral; Querendo ou não, são detalhes que fazem toda a diferença quando se quer vender e principalmente conquistar clientes. A dupla mal chegou ao mercado dos doces e já se mostra expert no assunto desde quando se lançaram em 2016.

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A essência de Hyago Rocha Artesanando o Nordeste

Por: Lima Sousa – Fotos: Acervo

A essência cearense é retratada na microcoleção de Hyago Rocha. O estudante cursou modelagem técnica e vestuário no Senai CFP Ana Amelia Bezerra de Menezes e Souza.

Foi buscando a inspiração em suas raízes que ele criou o seu primeiro trabalho o qual revela os elementos do lugar onde nasceu. ‘A terra da luz’ emprestou ao jovem a riqueza do artesanato e da matéria-prima na construção da ideia cujo título ‘Artesanando o Nordeste’ inspira uma homenagem à cultura local. Ele utilizou Juta, fibra de coqueiro e até cordão de rede, que passaram por vários testes e só depois de transformados ganharam o design de suas peças.

O Amor às origens levou o estudante aos palcos do SENAI Brasil Fashion em 2016, após ter passado por várias etapas de seleção.  O evento é uma realização do ‘SENAI CETIQT’, que tem o objetivo de revelar os novos talentos da moda para os grandes especialistas do setor no país.

Hyago viveu uma espécie de Big Brother ao lado de 12 selecionados que receberam, incluindo ele, o valor de R$ 5.000 mil reais para a produção das peças no desfile que aconteceu no estado de Brasília em paralelo com a ‘Olimpíada do Conhecimento 2016’. A boa notícia dessa história é que não há perdedores. Todos eles ganharam a oportunidade de lançar uma proposta criativa para os Líderes da moda brasileira e somaram uma rica experiência no curriculum profissional. Hyago apresentou 3 looks com o toque da tendência artesanal e teve uma das peças desfilada pela modelo Ana Claudia Michel na abertura; o que mais ele pode querer depois dessa, senão continuar erguendo a bandeira da Moda Cearense para o restante do Brasil, e, quem sabe, para o Mundo? Pra quem só está começando, ele já deu um grande salto na carreira.  Agora, o que vem pela frente são cenas dos próximos capítulos.

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A fotografia imprime uma nova cara ‘aos que partiram desse mundo’.

TUDO PASSA, MAS A FOTOGRAFIA PERMANECE GUARDANDO AS MELHORES RECORDAÇÕES DOS HOMENS. ATRAVÉS DA IMAGEM, CONSEGUIMOS SENTIR AS IMPRESSÕES EMOCIONAIS QUE TRANSCENDEM NO TEMPO.

 

Por: Lima Sousa – Fotos: Luís Claudio

Quem poderia imaginar que a ausência das pessoas amadas pudesse ganhar uma nova versão?! Na linguagem dos sentimentos, a morte é compreendida culturalmente pelo medo que desperta nos seres humanos antes mesmo de se aproximar. Apesar de mal encarada, estampa versões peculiares que tratam de assustar a qualquer pessoa que se dê o trabalho de pensar nela. 9v9a0324Uma das representações mais esquisitas, pra não dizer famosa, é a figura do ceifeiro de manto preto com capuz e foice na mão. Em poucos segundos, a cena é capaz de espantar a paz, do rico ao pobre, do branco ao negro, do belo ao feio, entre outros títulos.

Fica entendido sobre essa conversa que ninguém foi educado para lidar com a triste realidade da morte, tampouco, a cultura ocidental ensina como fazer isso da melhor maneira, – quanto mais superar a perda de um ente querido.

Mesmo contra a nossa própria vontade, cedo ou tarde, qualquer um de nós terá de viver o inevitável. Porque basta estar vivo para partir dessa vida. Não tem desculpas. Pior, não tem escapatória. A hora chega para todos. Somos surpreendidos constantemente pela sua ação repentina que acomete um pai de família acidentalmente, o idoso que foi atropelado na avenida, a mulher que sofreu violência doméstica e veio a óbito, e, em outros casos, quando decide ser menos violenta, a ‘morte natural’ não ficou para muitos; isso porque ela não avisa o dia, nem a data, e muito menos o horário de chegada. Quem tem ânsia de viver que viva o ‘agora’! A morte não se comove a rogativas.1

Por esse motivo, a fotografia assume uma tarefa ímpar na história de pessoas que mantêm o hábito de fazer o álbum de fotos, de preferência, – o álbum de família. Nessa hora ninguém quer deixar passar nada em branco, nem mesmo o choro do neném ao nascer durante o parto. Tudo vira um motivo pra fazer aquela foto ficar “top”. Pra isso, o Photoshop (Lightroon) dá uma mãozinha na hora de caprichar na imagem. O programa é um forte aliado dos profissionais da fotografia quando decidem fazer reparos, edições e até manipulações.

Já é possível com o auxílio do aplicativo projetar a imagem de falecidos nas fotografias. Como assim? Por meio das técnicas de projeção em que a imagem de pessoas falecidas ganha efeito realista nas fotos.

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