O drama de um gay divorciado

Colunista : Junior Ratts –  Arte : Renato Mendonça

Se a expressão “casamento gay” é um conceito difícil de ser digerido, a palavra “gay divorciado” é um coquetel de Meracilina com chá de boldo. Ou seja, para o mundo heterossexual (e talvez até mesmo para a realidade LGBT), o homem gay divorciado é um fantasma; ou pior: algo que deve existir em silêncio máximo – um Inexistent Hominem. Vivi duplamente esta situação de descaso, visto que fui casado oficialmente por duas vezes. Por conta destes desenlaces matrimoniais, precisei voltar a morar com meus pais e foi aí que começaram os “ataques” homofóbicos disfarçados de conselhos ou muito bem ornados de total desprezo.

Dentre as várias recordações deste momento de enfrentamentos, lembro-me de que, ao dizer para minha mãe como era doloroso estar na situação de divorciado, ela tratar a situação como se eu estivesse a narrar uma história estranha sobre alguém desconhecido. Creio que ela se emocionaria muito mais se eu falasse que o preço do mamão estava pela metade ou que o gato estava com infecção urinária. Em meio à sua frieza, conselhos como “Você vai logo encontrar alguém.” e, principalmente, “Menino, sai e encontra alguém!” me faziam ver como o sentimento gay para um heterossexual é algo feito de papel crepom. E mais do que isto: em suas palavras, minha mãe sem saber hipersexualizava meu corpo. Afinal, eu não precisava sofrer, o que eu necessitava mesmo era buscar consolo numa cama qualquer com qualquer gay que eu encontrasse em meu caminho.

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O que pode um homem dizer sobre si?

Colunista: Júnior Ratts | Fotógrafo: Claudemi Santos

O que poderia ou pode um homem escrever sobre homens? Muitas coisas, obviamente. Contudo, creio que a primeira e mais urgente das invocações textuais a serem feitas é revelar que, ao contrário do senso comum, o homem não é (e nunca foi) o dono da história. O homem é e foi, isto sim, um conceito forjado pela narrativa histórica. Em outras palavras, a história precisava de alguém que lhe levasse adiante e escolheu o homem como seu guia impávido e majestoso.

O que perdemos neste percurso? Toda nossa impávida e majestosa subjetividade. Afinal, que guerreiro, monarca ou qualquer outro tipo de líder ou grande representante de seu tempo poderia se dar à liberdade de chorar? Ou de reclamar de sua própria imagem? Ou de chorar as estrias e olheiras? Li em um livro do grande sociólogo Norbert Elias que o grande gênio da música Mozart sofreu durante toda a sua vida, dentre outros fatores, por nunca ser amado e por se sentir feio. Contudo, Hollywood o retratou em “Amadeus” como um homem alegre e amado. Por quê? Porque são as histórias alegres aquelas que mais vendem (principalmente se elas estão a retratar os “grandes” homens). E nessa confusão entre o que é história real e ficção, mistura-se tudo e daí surge o mito da constante felicidade masculina. Felicidade que atravessou séculos através das artes e de tantos outros mecanismos que “empoderaram” os homens, ao passo que lhes “presenteava” uma realidade cultural e social repleta de coerções.

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O sensível e o cruel”

O livro de Juliano Gadelha, professor de Antropologia e Sociologia, aborda temas sobre “Aprendizagem Pelas Performances Sadomasoquistas”

Por: Lima Sousa | Fotos: Acervo

Estante Cultural

“O outro que amamos por significativo tempo pode ir voluntária e impiedosamente ou nós mesmos podemos abrir todas as portas para que ele se vá. Mas esse é o outro materialmente palpável, substância de cor, odor, textura e formas espaciais. Quando algo desse outro fica em nós, em nossas mais profundas camadas sensíveis, de maneira que essa presença sempre se atualiza por ações que sequer remetem diretamente a algo que vivemos com esse outro, é que sentimos o quão forte consiste a potência de vida dele em nós. Atualizar o outro pela lembrança triste ou pela saudade melancólica é um enfraquecimento do corpo, da vida. Mas sentir as marcas que o outro depositou em nós e que nos move a outros é a beleza da presença virtual de quem deixou de viver ao nosso lado para ser um outrem em nós”. (O sensível e o cruel, p.94-95)

Acima, um mote do livro O sensível e o cruel: uma aprendizagem pelas performances sadomasoquistas, de Juliano Gadelha, professor de Antropologia e Sociologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE). A obra que aborda temas sobre a experimentação com as performances sadomasoquistas foi recentemente lançada na capital cearense ao lado de um público seleto do autor. Em especial, o trecho evoca em sua essência a base do ‘Sensível’ com relação ao outro que está interligado a nós, ocupando um lugar que se compõe de sentimentos a partir de uma convivência profunda e fácil de romper; Simultaneamente, a essência do ‘Cruel’ é percebida quando o outro se desliga dessa vivência. Na verdade, o ‘Cruel’ não se refere à ‘Dor ou à Saudade’. Também, não é o oposto do sensível, mas, sim, quando o sensível se mostra criador de mundos sem a lembrança do outrora vivido. 

O autor nos dá a impressão que o ‘Sensível e o Cruel’ se unem de forma poética na íntima rotina dos indivíduos. É como assistir uma cena performática de homens que se deixam subjugar pelas lembranças e outros ressignificam a ausência pela beleza depositada em si. Mas, quem afirma se essa interpretação procede é o próprio Gadelha.

“Existem situações na vida que a gente não interpreta. E os autores, autoras e os artistas com os quais trabalho e que proponho na obra dizem a todo o momento que ‘a vida é algo que nos escapa por todos os lados’. É como a frase: “O outro que amamos pode ir impiedosamente e nos abandonar ou nós podemos deixá-lo”. Mas, a força [sensível] que age em você quando outro material sai da relação é o que se carrega do outro. E os índios Tupinambá dizem que nós devoramos algo desse outro que nos potencializa. Você pode sofrer ou está feliz, mas quando a ‘presença sensível’ é forte ela continua agindo dentro do indivíduo. Ela é antropofágica, diz Gadelha   

O início

O primeiro percurso da obra de Gadelha se desenvolveu no período de um ano e seis meses no campo da observação e da escrita. Foi a partir do seu projeto voltado para as performances sadomasoquistas, na grande Metrópole de Fortaleza, que a obra começou a ganhar páginas. O seu primeiro livro é fruto da dissertação de Mestrado em Artes do programa de Pós-Graduação da UFC, sendo aprovado para publicação, pela Editora Metanoia, no mês de fevereiro de 2016 e lançado em abril de 2017 na Livraria Cultura.

Público e Obra

O exemplar configura três capítulos que exploram a cultura BDSM através do conceito que o autor chama de ‘Aprendizagem’. Gadelha apresenta a estrutura da sua obra em: “Aprendizagem 1: Sadomasoquismo como Performance e Outros Possíveis”; “Aprendizagem 2: Aprendendo a Constituir-se pelo Desejo Sadomasoquista: Escrita de Si e Poética da Existência”; “Aprendizagem 3: Cosmologias da Crueldade: O Ovo e os Prazeres, ou Uma Instalação – Performativa” e a “Aprendizagem Interminável”.

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Salve, salve Belchior!

O artista que marcou o Brasil fica consagrado na história e deixa uma grande lacuna na MPB

Por: Lima Sousa/ Capa: Luis Claudio Anjos/ Imagens: internet

Transcender

Terça-feira, 2 de maio de 2017. No palco do Anfiteatro do Centro Cultural Dragão do Mar, acontecia a missa de corpo presente do cantor e compositor Belchior. Um espaço voltado para as atrações da cidade havia sido tomado por um contingente de pessoas que lamentavam a morte do ícone da MPB. Ele deixava uma imensa lacuna na arte musical do país e especialmente para o público cearense. Uma cena marcante que dilacerou os corações dos familiares, amigos e principalmente dos fãs que assistiam à missa celebrada pelo Frei Ricardo Regis. O frade capuchinho tinha uma voz suave e dirigia a homilia em frente ao caixão do artista.

“A vida é uma passagem para todo ser humano, mas quando esse ser humano realizou ao longo do seu caminho uma história diferente, então, ele vai deixar, digamos, um legado maior. Seja de expressão, de sensibilidade, da música e da arte em si. Tudo isso nos faz transcender. Celebrar um momento como este é partilhar a dor que a família e os fãs estão vivendo.  O talento e o dom que Deus deixou em nós é o melhor de Deus. Então, são essas coisas boas que o outro teve e que nós fazemos esse memorial que serve também a gente. A música nos transcende, nos faz viver, nos alegra, nos mergulha no passado, nos deixa no presente e nos lança para o futuro também”, completou o padre.

O caixão no centro do palco era velado de orações que soavam em uníssono por familiares e fãs que vieram de outros estados do Brasil. A cena fúnebre era contemplada pela imprensa que infestava o local a fim de registrar um momento ímpar na história da música popular brasileira. A morte do cantor teve repercussão em todos os veículos de comunicação do país. Todos queriam fazer a melhor cobertura sobre a despedida do homem que se transformou em um dos maiores símbolos da musica, da poesia e da filosofia nordestina. A famosa plataforma de buscas, o Google, registrou um número relevante de pesquisa pelo artista depois de sua morte. No site Tribuna do Ceará, foi publicada uma matéria cujo título era: “Morte de Belchior provoca ‘explosão’ de buscas pelo cantor no Google”. A matéria, escrita por Lucas Barbosa, mostrou números significativos do público que buscaram pelo cantor e compositor na internet. Em nível nacional, o  estado do Ceará foi líder das buscas de acordo com os dados do Google Trends. As suas canções também foram alvo das pesquisas digitais; as três mais procuradas foram “Todo sujo de batom”, “Como o Diabo Gosta” e “Coração Selvagem”,com um número de 250%. Esses dados nos levam a crer que a vida e a obra de Belchior merece ser estudada com todos os seus detalhes.

O governador do Estado, Camilo Santana, tinha visitado o velório na segunda-feira de feriado internacional. A data 1º de maio homenageava o dia do trabalhador em vários países do mundo. No site de notícias da cidade, o ‘G1 Ceará’, o governador aduziu consternado:

“Além do grande poeta que era, ele usava a sua letra para lutar por um mundo melhor. E viver um mundo melhor, porque a gente sonha, mas a gente quer viver esse mundo melhor”.

Mas a música estava predestinada a fazer parte de sua trajetória de vida. Foi na infância em que passou a estudar piano e música coral no Ceará. Na cidade natal onde nasceu, Sobral, trabalhou na rádio e no ano de 1962 mudou-se para Fortaleza a fim de estudar Filosofia e Humanidades. Mais adiante, foi estudante de medicina, vindo a largar o curso no ano de 1971, – encontrando-se na música, onde se entregou de Corpo e Alma. 

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, o notável Belchior, como se tornou conhecido no mundo artístico, foi encontrado morto pela esposa Edna num dia de domingo, em Santa Cruz do Sul (RS). O trovador estava com 70 anos de idade e vivia há quatro anos na cidade de 126 mil habitantes do Vale do Rio Pardo, cerca de 150 km de Porto Alegre. Sua morte repentina dá indícios de causa natural, uma vez que a esposa relatou à polícia que Belchior havia se sentido mal na noite de sábado, quando se queixou de frio e foi descansar no sofá da sala, onde produzia suas composições, e não acordou mais. O noticiário ‘G1 Ceará’ informou também que a morte do cantor deu-se em função de um rompimento da artéria aorta, segundo a delegada Raquel Schneider que manteve contato direto com o médico do IML da cidade de Cachoeira do Sul, responsável pela necrópsia do artista.

A repercussão nacional fez o Governo do Estado do Ceará e a Prefeitura da cidade de Fortaleza decretar LUTO oficial de três dias. Um luto que vai levar um longo período para os fãs encarar o fato de que Belchior não está mais entre nós. O tempo que se leva para transcender a perda de alguém não se dá em poucos dias. Quanto mais ao tempo que o artista devotou com a arte de emocionar o público. A despeito disso, perante o pesar das autoridades, a ficha vai demorar a cair, contudo, cada um fez a sua parte, dando o seu melhor no que se refere à solidariedade dentro das formalidades. A morte desperta fantasmas e deixa traumas que leva tempo para sarar. O bom é que Belchior nos deixou como herança um repertório musical recheado de inspirações para superar a saudade.

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O Portal Moda e Arte Apresenta a Nova Linha Editorial na Vila das Artes

Por: Lima Sousa – Fotos: Aldair Pereira 

Arte- Cidade

O Portal Moda e Arte não vê a hora de assumir a nova versão editorial após ter arrumado a casa virtual. A página, que é conhecida na capital cearense pela autenticidade de narrar de um jeito único, entrou de cabeça em sua fase atual, que traz uma gama de novidades, aliada a um conteúdo diferenciado sobre moda, arte e cultura local.

A home do blogue está em clima de festa com o novo conceito regional, que vai exibir uma identidade mais autoral e personalizada. A repaginada permitiu segmentar os assuntos de forma que as pautas fossem colocadas em colunas específicas. Reparem que agora a página mostra um grupo de novas colunas que destacam temas de variados estilos. É como diz o ditado popular: “cada um no seu quadrado”.

Dessa vez o blogue estampa uma seção de colunas que dá espaço para assuntos de cunho social e que são relevantes no mundo moderno. Um deles é a ‘Espiritualidade’, que será abordada na coluna ‘Transcender’ e traz os temas de superação, relatos de experiências, fé e se propõe à cultura de paz na rede digital. Em seguida, a coluna ‘É tudo de bom’, que realça temas como: viagens, culinária, vida saudável e as belezas da cidade para aqueles que curtem a vibe mais lifestyle.

Já quem curte uma pegada cult e não troca por nada nesse mundo o livro de bolsa ou de cabeceira, vai poder visitar a coluna ‘Estante Cultural’. Nela, os leitores são convidados a visitar uma estante multicultural que dispõe desde os lançamentos literários, bienais, feiras, cinema, eventos, esporte, música, a uma série de manifestações artísticas. E é claro que a moda não poderia ficar de fora nessa conversa toda. Com certeza, ela ganha a vitrine com o título ‘Moda Local’, representando as labels do Estado. Já as entrevistas, carro chefe do blogue, garantem continuar mostrando as faces do momento com muito mais ousadia. No cabeçalho da página também tem lugar para outras colunas, como: ‘Arte-Cidade’, ‘Colunistas’ e ‘Minha Praia É’ somando ao entretenimento do blogue. Ao todo, são oito colunas com propostas bem direcionadas onde muita gente vai poder se encontrar e se identificar através das matérias.

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