A essência de uma Lady

O ar boêmio do Mercado do Café deu lugar para um papo super descontraído ao lado de Ângela Escudeiro. A artista e escritora fala nesta entrevista dos prêmios conquistados na carreira, a recente viagem pela Europa, inclusive, o que pensa a respeito dos artistas do cenário alencarino.

Por: Lima Sousa / Fotógrafo: Anderson Rocha

Coluna: Entrevistas

A artista desta entrevista é escritora, roteirista, produtora cultural, diretora de teatro, arte-educadora, cineasta, atriz e bonequeira por excelência. É isso mesmo, atriz-bonequeira que, com muita seriedade, dá vida aos bonecos no programa “Nas Garras da Patrulha” desde 2015, na TV Diário, canal 22, juntamente com a sua equipe de bonequeiros, composta por Renato Severo, Ivanildo Pereira e Cleomir Alencar, sob a direção de Fábio Nobre e coordenação geral de Garcia Junior.

Ângela Escudeiro é uma mulher cuja natureza esbanja a classe de uma Lady, em pessoa. Tanto é que o seu perfil feminino elenca a boa postura, bons modos à mesa, a elegância nata (educada e delicada), uma make-up impecável, cabelos bem tratados, os finos óculos escuros no rosto, acessórios de bom tom e um estilo marcante. Para completar a lista, vale lembrar as unhas no vermelho habitual, por sinal de chamar a atenção, insinuando os cuidados que recebe da sua sala “Arte Lucíola”,cuja criação é em homenagem a sua mãe, Lucíola Escudeiro; porque ser Lady todo dia, meus caros (as), não é para qualquer “UMA”. De cara, essas são algumas de suas notáveis referências que expressam a persona de uma profissional versada de arte e cultura, e que, além de ser muito estimada, tem como favorita a citação: “Quando eu partir, por gentileza, joguem as minhas cinzas ao vento sobre o MAR. Para que as ondas possam o meu amor pela vida carregar. E que os peixes, algas e sereias dancem comigo a felicidade de poder a vida continuar. Talvez, quem sabe no fundo desse mesmo MAR”. A frase é de sua autoria e traduz a essência de sua própria natureza de ser: Mística. O que Ângela Escudeiro tem de sobra, desde sempre.

Senhoras e senhores, a narrativa a seguir sintetiza o percurso de uma atriz devotada à arte de fazer teatro de ator e espetáculos com os bonecos no palco cearense sem poupar sequer um pingo de humor, criatividade e no caso do programa que participa na TV Diário, muito charme nos intervalos das gravações. Mas, o que a faz digna do título “Uma Lady cearense” são os destaques de sua própria carreira que denotam trabalhos, prêmios, cargos e participações de referência no eixo artístico e cultural. Longe de fazer a ficha técnica da atriz-bonequeira, atrevo-me a (re) produzir o insumo do que ela representa para a classe dos artistas no Ceará.

Ângela Escudeiro é Graduada em Letras pela UECE, Pós-graduada em Arte e Educação pelo CEFET, tendo estudado com o professor e diretor Lauro Góes na UFRJ e participado do Grupo Tule. Integrou a oficina “Escuela Internacional de Teatro de la América Latina Y El Caribe” – (EITALC) no México, com os professores Luís de Tavira, Jean Marie Binoche (pai de Juliette Binoche) e José Sanchis Sinisterra, além de duas oficinas em Fortaleza e no Cariri com Maurice Durozier e George Bigot do “Theatre Du Soleil”, sendo escolhida por eles para dirigir a Trupe da Lua.  Tem participação em mais de 40 Festivais de Teatro e Teatro de Bonecos nacionais e internacionais, integrando eventos e festivais.

E não para por aí, porque a Lady também soma ao currículo o DRT de atriz, bonequeira, Diretora de teatro e Produtora cultural. Participou de festivais em países como: Espanha, Portugal, Suíça, Itália, Argentina, França e outros. Um insumo profissional de experiências renomadas só na primeira parte do caldo; isso porque Escudeiro também é autora de 10 livros publicados, atuou em filmes como “O Quinze”, inspirado na obra homônima de Rachel de Queiroz, com direção de Jurandir Oliveira, além de outros filmes como atriz. Enquanto “Escudeiro Produções Artísticas”, contribui fazendo produção, co-produção, produção associada, assistência de direção e preparação de elenco, alguns destes trabalhos ainda em edição.

Com vinte e quatro prêmios recebidos em várias categorias, foi fundadora e primeira presidente do SATED – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado do Ceará. Foi presidente da ABTB – Ceará e membro da Academia Feminina de Letras do Ceará. Além disso, foi Comissária da CNIC – Comissão Nacional de Incentivo à Cultura – MINC, entre 2013 e 2014, e fez o programa “Algodão Doce” (TV Diário), no qual mais uma vez os bonecos assumiram a cena, animando o público infantil da cidade. Logo após, fez uma série de apresentações com esses mesmos personagens-bonecos pelas escolas públicas da capital cearense por meio da TV Diário.

Em 2016, estudou Cinema na “Casa Amarela Eusélio Oliveira” e, neste ano de 2017, estudou Roteiro cinematográfico na “Escuela Internacional de Cine Y Television” – EICTV em CUBA, bem como Roteiro de série para Televisão, em Salvador, com Julia Priolli.

Atualmente, cursa Pós–graduação em “Gestão Cultural” no “BSB – Instituto de Capacitação Business School do Brasil”, e mantém a rotina na direção da equipe de manipulação de bonecos no programa da TV em que está contratada.

A seguir, e em primeira mão, o néctar que interessa ao sabor dos mortais sobre o que pensa ‘Uma Lady’ e atriz-bonequeira. E mais, a recente viagem que fez a Europa, onde declarou ter ido apenas para tomar um cafezinho em Paris, a realização profissional, sua rotina, o que pensa sobre os impactos na educação brasileira e outras coisas mais, porém, resguardou-se de comentar a respeito do Longa-Metragem “Se Arrependimento Matasse”, ainda em ensaios, na função de atriz, com direção de Lilia Moema Santana, por não poder falar [nada] sobre a trama do filme.

Por último, “uma boa parcela” dos leitores não tem a mínima noção de quem estou falando. Porém, não se atreverão a ter nenhuma dúvida a respeito de Â.E após ler esta entrevista.

P.M.A – Hoje em dia exige-se muito do currículo de um profissional. Com relação ao currículo do artista não é diferente, tendo em vista o tempo de carreira, atuações no teatro, TV, cinema, comerciais, premiações, e outras habilidades artísticas. Diante disso, sendo uma artista cearense, como você se define ao sintetizar um rico portfólio onde atua como atriz-bonequeira, arte-educadora, diretora teatral, escritora e roteirista?

Â.E – Nossa! Mãe do céu… Olha, é interessante porque cada pessoa me percebe de uma forma diferente. Mas sempre tem essa coisa da delicadeza, isso é habitué. Eu sempre digo: eu sou aquilo que as pessoas acham que sou. Eu sou como me veem. Alguém já deve ter dito isso (risos). Mas desde pequena eu sempre pensei assim. Quando alguém dizia: Nossa! Você é tão delicada, tão suave. Eu sempre respondia: “são seus olhos”, como tinha aprendido com a minha mãe. Em tudo que a gente falava de bom ela usava essa expressão.

Então, assim, eu sou “dinâmica, ativa”, porque a única coisa que eu faço na vida é trabalhar em prol da minha arte. É cumprir com a missão que fui predestinada a realizar nesta vida. Eu me dedico a todas essas funções e todas as artes que me vêm, ou seja, todo o talento que eu puder trabalhar e que está em mim porque talento e dom é algo que não se dá, que não se empresta ou compra, você nasce com ele e desenvolve, ou não. Eu procuro desenvolver cada vez mais. Ao longo da minha vida eu sempre fui me dedicando e tentando me aperfeiçoar. Embora eu saiba que a perfeição só existe em Deus.

P.M. AE aqui não é lugar de perfeição.

Â.E – Aqui não é lugar de perfeição, porque senão, não seria este grande hospital onde todos nós viemos nos cuidar e tentar evoluir. Eu não gosto nem de dizer essa palavra,‘tentar’. É realmente evoluir no sentido de crescer espiritualmente, de se melhorar e se curar porque todos vieram com problemas para serem tratados. E que, com o tempo, a gente pode até adoecer mais, ou pode se curar, mas não totalmente.

P.M.A – O que nos diz sobre seu outro lado?

Â.E – Ah, Ângela Escudeiro quando quer descer do salto, ela desce. Mas sempre desce com classe. Eu não sou somente uma coisa. Aliás, todos nós não somos só bons ou só ruins. Nós não temos só o lado de luz, temos também, nosso lado escuro. Então, eu faço o possível para que esse lado de luz se ilumine cada vez mais. Porém, eu sei ser grosseira, e dar respostas à altura quando sou ofendida ou quando alguém tenta me passar a perna. Às vezes eu posso até ignorar, porque me sinto melhor quando ignoro. Mas, quando tenho que dar aquela resposta (x)… Ah, pode apostar que eu dou (risadas prolongadas).

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A Rainha da Dança Contemporânea

Silvia Moura é referência no eixo da dança contemporânea com 40 anos de carreira em solo cearense. Ela fala na entrevista sobre carreira artística, processo criativo, e o novo espetáculo ‘A BEIRA DE…’

Por: Lima Sousa | Capa: Alex Costa| Fotos: Acervo pessoal

Coluna: Entrevistas

Ela é um vulcão artístico em constante ebulição nos palcos do teatro. Quando entra em erupção, incendeia a plateia ao transformar realidade em um espetáculo que desperta criatividade, narrativas e, principalmente, por levar um personagem autêntico no seu repertório. Silvia Moura tem as bases fincadas na dança contemporânea desde 1976 e guarda um magma rico de experiência. Além de bailarina, a artista cearense é também coreografa e atriz. Quando está em cena, assume performances para lá de ousadas, entre versões que expressam um pouco de tudo, inclusive, de si mesma. É dela o título ‘Rainha da Dança Contemporânea’, que desdobra no currículo produções como: “Corpo-lixo-cidade”, “Engarrafada”, “A cadeirinha e Eu”, “Anatomia das Coisas Encalhadas”, “Instalaformance II – Não Pise no Vestido”, “Instalaformance III – Tangendo Sonhos”, e outras inquietações.

Moura escreveu dias atrás que “envelhecer é saber exatamente onde está o abismo”. A diva revela uma maturidade fora do comum ao saber tirar de letra a decrepitude de sua vida, reconhecendo onde começa e termina os seus direitos e limites. A bailarina demonstra com 52 anos bem vividos que o fantasma da idade não lhe intimida, pelo contrário, só a estimula a manter o sorriso no rosto.

Na capital cearense ela tornou-se referência no eixo da dança contemporânea. Um lugar ao sol conquistado através de altos e baixos de quem decidiu, com a cara e a coragem, ser artista e viver de dança em solo nordestino. Silvia agarra-se na arte com todas as suas forças, abraçando o dom de dançar genuinamente diante das intempéries que somam a carreira do artista. O ritmo é o seu escudo de proteção contra as investidas do destino, que desafia tanto a Arte como a Realidade.

A via dupla entre “Arte e Realidade” é um percurso que poucos arriscam seguir; ou melhor, uma pequena parcela decide pagar o preço da carreira. A lista dos desistentes anônimos não é curta, a saber, mas, nos últimos anos, a Capital do Sol tem revelado uma safra afiada de estrelas nordestinas. Do Ceará às grandes metrópoles, e para o exterior, cito alguns nomes para confirmar o outro lado da moeda. Nela, está a top model Valentina, o ator Silverio Pereira, a atriz Mey Ferdinand, o poeta Bráulio Bessa – reconhecido como ativista da cultura nordestina no mundo, e Halison Cezar – o jovem aventureiro que se tornou manchete na Índia através do intercâmbio voluntário. 

Atualmente, Silvia Moura é figura conceituada entre os artistas da dança contemporânea no Ceará. Em 40 anos de carreira, ela incorpora o lado extremo do título que leva, pois o status de Rainha serve apenas para manter as formalidades. O trono onde melhor se assenta está logo ali, no chão, onde se arranja ao redor do séquito congregado sem bancar a pose. Talvez, o hábito de sentar no chão livremente revela o seu encontro com a dança na infância. Hoje, já tendo percorrido vários territórios, conhecido pessoas importantes e encarnado vários papeis no palco, lhe garantiu um lugar disputado por muita gente. Foi graças à dança que conseguiu construir a sua própria identidade, ganhando destaque no cenário das artes e da cultura local. Entretanto, encerro apenas um insumo sobre a bailarina, a mãe e a mulher que traduz o porte de ‘Rainha da Dança Contemporânea’, – sempre munida de espírito valente e simplicidade.

Silvia foi recebida na varanda da ‘Vila das Artes’ sobre a brisa da tarde aconchegante, no centro da cidade de Fortaleza. A minha entrevista mais aguardada estava prestes a começar às 15h21min, sendo concluída por volta das 17 horas quando o sol se recolhia.

P.M.AA dança já lhe permitiu incorporar vários ‘personagens’ no teatro. Mas, quem é Silvia Moura longe das cenas sem está representando nos palcos?

Silvia M.– Nos últimos anos tentei aproximar a minha dança da vida, então, não me vejo representando muitos personagens na dança e no teatro. Na verdade, na dança falo de mim, da cidade, das coisas que vivo, que enfrento, das situações que tive a oportunidade de perceber e conto as histórias de outras pessoas próximas a mim. Nesse sentido, o personagem no palco sou ‘eu mesma’, um ‘eu’ mais dilatado. Em cena, você fica um pouco maior. Não é possível ser o tempo inteiro como se é no palco, senão ninguém suporta. É muita energia desprendida.

Acredito que não sejam ‘personagens’ como na concepção da palavra. Na realidade, são partes de mim, vivências fragmentadas da Silvia de cada momento. Só construí aquilo que acho mais valoroso para ser uma artista próxima do que sou na vida. As minhas falas em cena têm uma identificação com o que vivo no dia a dia. Desde 1988, quando assinei o meu trabalho, tentei fazer essa ligação direta com a vida, e isso tira você dessa vaidade de ‘estrela’. 

Eu sou uma pessoa comum que fala com todo mundo. Não faço distinção entre as pessoas. Da mesma forma como me dirijo ao prefeito da cidade, trato um porteiro naturalmente. Aprendi assim, tratar a todos com respeito e educação. 

P.M.AViver de arte no Brasil não é sinônimo de sucesso financeiro, e muito menos para qualquer pessoa. Fico pensando no artista que enfrenta grandes desafios no cenário cearense em tempos de crise econômica. No seu caso, está difícil se manter na dança contemporânea tendo que superar as dificuldades e o preconceito por ser bailarina nordestina? Você escolheu a dança ou a dança a achou primeiro?

Silvia M. – Ambos, disse Moura. A dança me achou, mas eu também decidi ficar. Foi uma escolha cotidiana. Existem mil possibilidades de desistir, não aguentar, e desejar coisas que nunca irá possuir nessa carreira. Sempre terá algo tentando lhe desviar para outro lado. Quem vive de ‘Arte’ lida com essa faca de dois gumes. Acima do ‘bem e do mal’ chega o momento que é preciso escolher entre a vida ‘estável e instável’. Que horas você vai se dedicar a sua arte em uma jornada de trabalho que leva quase o dia inteiro? Porque o trabalho formal rouba a sua energia totalmente.

Mas, não podemos nos iludir que isso não aconteça no mundo artístico. A nossa rotina também demanda energia. Não é só entrar no palco e se apresentar. Existe o antes e o depois que lhe consome demais. Após o espetáculo, tem a produção a ser desmontada e levar para casa. Se você não dispõe de um séquito de assistentes, o jeito é assumir essa tarefa.

Em relação à questão da sobrevivência, o artista sofre quando deseja o status de médico ou de um empresário. Quando ele está no mundo informal e deseja o rótulo do meio formal. Então, aí existe um choque. Ele nunca vai ter os direitos que as pessoas desse nicho têm. Acredito que está muito distante de termos as nossas necessidades básicas asseguradas. Porém,viver de arte é uma decisão pessoal.

Ser artista é uma escolha. É muito mais que profissão. É uma forma de estar na vida, de ver, e falar do mundo. Algumas pessoas não têm esse chamado. Eu tive. E, sendo artista, posso dizer que tenho o bônus e o ônus. Nunca fui deslumbrada.

P.M.ASilvia, o artista encontra grande dificuldade de reconhecimento na sociedade brasileira. Eu lhe pergunto, você se sente valorizada como profissional no local onde conseguiu se consolidar com a ‘Dança Contemporânea’?

Silvia M. – O artista está muito mais preocupado em existir do que sobreviver. Eu acho que já tenho um reconhecimento como artista, sabe, e não discuto a questão de ser ou não profissional. Isso não faz muito sentido para mim. A diferença do profissional e o artista é que nós, os artistas, podemos balizar e estabelecer ações convenientes ao nosso trabalho. Então, nesse sentido, já que vivo e ganho dinheiro com a dança, posso dizer que sou, sim, profissional. Ainda mais agora, estando registrada na minha categoria. [Moura dá risadas]

Em seguida, perguntei o motivo de atender às exigências. Ao que ela me respondeu: “Fui obrigada ao registro por causa de um projeto de circulação nacional onde fui aprovada e exigia a documentação”.

Logo depois, falei no meio da entrevista: “Isso é maravilhoso!”.

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A Porta-voz da Moda Inclusiva no Brasil tem nome e sobrenome. Ela chama-se Daniela Auler.

Por: Lima Sousa – Fotos:  Rute Yumi

O slogan “A moda é para todos” se transformou nos últimos anos em uma espécie de mantra nas redes sociais, nas ruas, e, principalmente, entre alguns profissionais da moda. A frase soa o grito democrático de pessoas que buscam ver mais igualdade dentro de um universo que ostenta um padrão de beleza rigoroso e que não contempla a realidade física de muitos homens, mulheres e adolescentes. Um padrão que se estende desde a década de 60 quando surgiu a modelo Twiggy influenciando o perfil de magreza exagerado nas fotos. A modelo roubava atenção por apresentar uma silhueta reta, ter os braços e as pernas finas e manter-se abaixo do peso. Ou seja, um tipo físico fora dos padrões normais para a sociedade e que continua forte na mídia e nas passarelas.

Eis que um grito democrático se oficializa na esfera fashion pelo designer de moda italiano (naturalizado francês) Pierre Cardin ao completar a frase “A moda é para todos e não só para uma elite”. Daí em diante, a ditadura da moda começa a viver seus primeiros dias de transição para dar espaço às diferenças. O que nunca se viu nas passarelas, pessoas com algum tipo de deficiência, começa com certa frequência a fazer parte dessa rotina. A responsável pela ideia é Daniela Auler, que no ano de 2009 idealizou o primeiro concurso de Moda Inclusiva no estado de São Paulo. Finalmente, um grupo de pessoas colocadas à margem da sociedade passam a ser representadas em um mundo onde não havia lugar para elas. Um lugar mais que merecido, pois que o concurso Moda Inclusiva já está na sua 8ª edição e segue ganhando asas em territórios da Europa. Um deles foi na capital da moda, Milão, no evento “LA NORMALITÁ DELLA BELEZA”.

A próxima parada é na capital cearense, onde o tema vai reunir profissionais no primeiro ‘Seminário Moda Inclusiva 2017’. A porta-voz da Moda Inclusiva, Daniela Auler, statement no assunto, compartilha nessa entrevista a experiência sobre ‘Moda e Deficiência’ que fará parte do seu discurso nos dias do evento.

Portal Moda e Arte – O que sensibilizou você a idealizar um projeto exclusivamente para pessoas com deficiência?

Daniela Auler – São vários os motivos. Primeiramente, eu nasci em uma família de médicos e lembro que a minha infância foi brincando nos corredores de hospitais. Eu sou formada em moda e já trabalhei em diferentes áreas do Processo de Desenvolvimento de Produto e do Mercado. O projeto teve início quando estive em uma conversa com a Drª Linamara Rizzo Battistella, hoje, Secretária da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo. Ela me questionava o porquê a moda ainda não tinha criado um acesso para as pessoas com deficiência, – ela é médica fisiatra e trazia esse questionamento dentro de si. Essa reflexão foi o que me levou à Rede de Reabilitação Lucy Montoro, que é destinado à reabilitação de pessoas com deficiência. Eu queria entender de perto como era o mundo dessas pessoas e passando a conversar com elas em processo de reabilitação, descobri que o universo da moda seria ideal para resgatar a autoestima, autonomia e que tinha milhares de designers e modelagens de roupas que facilitariam a vida delas. Foi dessa forma que o estudo sobre a Moda Inclusiva começou a fazer parte da minha vida. 

Fotos: 1 – Twiggy/ 2 – O concurso/ 3 – Entrevista na cafeteria 3 corações.

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O ator Ari Areia é um espetáculo de realidade

Por: Lima Sousa – Fotos: Acervo

“O jornalismo é como se fosse um fio que liga as pessoas ao mundo”. A frase é de um autor desconhecido e se encaixa perfeitamente em um dos nomes mais destacados quando se fala em teatro, cultura e comunicação. 14055074_1139514846127821_229938578651312794_nEstou falando do jornalista Ari Areia.

Ele é uma das grandes figuras da cena local, chama atenção com o seu jeito de ser e está conectado com diversos gêneros no mundo da cultura. Como se não bastasse o título que leva, no currículo do moço listam outras atuações no ramo profissional. Ari Areia tem muito pano para manga e revela sua outra versão, que pode ser apreciada nos palcos do teatro onde desdobra o ar de sua graça. Quando entra em cena, o seu estilo é do tipo que provoca, estimula, incentiva e causa diversos comentários. Sobre a margem do bom senso, alguns de seus espetáculos, como Histórias Compartilhadas e a peça Caio e Leo, foram marcadas pela censura. Sucesso de público durante o tempo que estiveram em cartaz, ambas as peças superlotaram o teatro da casa e, inclusive, Caio e Leo, que se apresentou no Rio de Janeiro e foi nota nos principais jornais da Cidade Maravilhosa.

Por conseguinte, concluindo a base desse tripé artístico, ele ainda abraça a missão de ativista no grupo GLBT do Estado do Ceará. 10650052_817257238343124_4348790645234768322_nO ator defende os direitos da diversidade sexual, o respeito às causas relacionadas à cultura, arte e cidadania na capital. Diante disso, o lema que melhor define seu repertório performático na cidade é: “Quem não luta por seus direitos não é digno de merecê-los”. A frase é antiguíssima, mas se levada ao pé da letra tem tudo a ver com o que tem buscado até hoje. Justiça!

Dias atrás no seu Facebook escreveu o seguinte: “A justiça não é cega. Ela é racista e burguesa.” O jornalista deixa claro que está de olhos bem abertos para os fatos marcantes que acontecem e passam despercebidos, com frequência, na sociedade. Como vemos, não é o caso do ator que é superinteirado no que diz respeito à informação. 15401048_1124102357702981_1862746410603059149_nÉ tanto que decidiu ser o porta-voz da diversidade sexual na capital cearense ao ter se candidatado a vereador na luta pela equidade e os direitos da classe GLBT.

Para muitos adolescentes que buscam uma referência dentro da cidade, Ari Areia conquistou a confiança de vários jovens e já é considerado um dos padrinhos do público GLBT com um número de seguidores significativo no Estado. A seguir, a entrevista exclusiva para o Portal Moda e Arte.

Portal Moda e Arte – Que perfil tem o seu trabalho como ator dentro do teatro?

Ari Areia – Eu faço teatro profissionalmente há seis anos dentro da companhia Outro Grupo de Teatro. 13907149_651858308302364_1519423705329434732_nEm comparação às minhas referências como Herê Aquino, Silverio Pereira e o grupo Bagaceira, é um tempo muito curto. Acho que ainda existe um percurso a ser trilhado para começar a definir as minhas características. A arte é algo que precisa ser da ordem do ‘espanto’. A poesia, o teatro, o cinema e a música em algum aspecto têm que despertar e deslocar algo. E isso está em construção constante. Eu ainda estou bebendo de muitas fontes. Tem muitas coisas que ainda não experimentei em cena. O que me estimula nesse momento são as questões que estou atravessando. Quando eu olho para trás vejo que já trilhei um percurso consciente com aquilo que acredito ser a função da arte.  Essencialmente, me sinto feliz com o caminho que estou trilhando.

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Eveline Oliveira encontrou mil e uma razões entre arranjos e buquês pra enfeitar o jardim da vida. Pra não dizer que não falei de Flores!

Por: Lima Sousa

 Fotos de Entrevista: Sergio Vieira / Fotos de Acervo – Portfólio de Eveline Oliveira

A primavera faz verão na vida da Design Floral Eveline Oliveira, que é apaixonada pela beleza da estação das flores. Para ela, esse é o melhor e mais lindo período do ano. No Brasil, a época das flores tem início em 22 de setembro e chega ao fim no dia 21 de dezembro. O fascínio da natureza é prolongado, garantindo uma decoração natural nos dias quentes pra enfeitar o calor da capital cearense. img-20161009-wa0049Pra ficar melhor, só está faltando a chuva pra aliviar as brasas da estiagem. É nesse momento onde a design entra em ação reunindo as principais ferramentas de trabalho pra deixar a decoração floral impecável.

Sem esperar de alguém as rosas, muito menos o clima apropriado, existem mil motivos que levam Eveline Oliveira a continuar criando sob o sol e a chuva, principalmente na época das flores em que encontra o verdadeiro sentido de ser quem é hoje. aniversario-das-blogueiras-artificialTendo se especializado ao longo dos anos no ramo da arte floral desde a década de 90, a design floral traz em seu íntimo o forte desejo de popularizar a floricultura através dos cursos que organiza na cidade.

“Fortaleza não dá espaço ao profissional da arte floral de expor o seu trabalho. É quase impossível colocar a beira mar e nas praças os nossos produtos que teriam uma saída. Quando menos se espera, a fiscalização chega com a ordem de retirada.”, afirma Eveline. Talvez, depois dessa, a única coisa a fazer fosse buscar outra atividade melhor, ao menos alguma coisa onde não a colocasse sobre investigações, algo onde pudesse estar longe do fisco. Mas isso não foi o bastante para vencê-la diante de tanto tempo ao lado dos cravos, girassóis, margaridas e muitas outras variedades de flores. Eveline Oliveira mostra-se uma Rosa em pessoa na hora de driblar as barreiras que tentam impedi-la, mais que isso, com um pouco de menina e um tanto de mulher, consegue levar na esportiva a sua obra de arte sem prejudicar ninguém. Resumo da ópera: a única coisa que se sabe é que ela vai continuar por um bom tempo enfeitando a vida de flores até quando os seus dias permitirem. E que ninguém diga que não falei de flores após a entrevista, hein!

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