A Rainha da Dança Contemporânea

Silvia Moura é referência no eixo da dança contemporânea com 40 anos de carreira em solo cearense. Ela fala na entrevista sobre carreira artística, processo criativo, e o novo espetáculo ‘A BEIRA DE…’

Por: Lima Sousa | Capa: Alex Costa| Fotos: Acervo pessoal

Coluna: Entrevistas

Ela é um vulcão artístico em constante ebulição nos palcos do teatro. Quando entra em erupção, incendeia a plateia ao transformar realidade em um espetáculo que desperta criatividade, narrativas e, principalmente, por levar um personagem autêntico no seu repertório. Silvia Moura tem as bases fincadas na dança contemporânea desde 1976 e guarda um magma rico de experiência. Além de bailarina, a artista cearense é também coreografa e atriz. Quando está em cena, assume performances para lá de ousadas, entre versões que expressam um pouco de tudo, inclusive, de si mesma. É dela o título ‘Rainha da Dança Contemporânea’, que desdobra no currículo produções como: “Corpo-lixo-cidade”, “Engarrafada”, “A cadeirinha e Eu”, “Anatomia das Coisas Encalhadas”, “Instalaformance II – Não Pise no Vestido”, “Instalaformance III – Tangendo Sonhos”, e outras inquietações.

Moura escreveu dias atrás que “envelhecer é saber exatamente onde está o abismo”. A diva revela uma maturidade fora do comum ao saber tirar de letra a decrepitude de sua vida, reconhecendo onde começa e termina os seus direitos e limites. A bailarina demonstra com 52 anos bem vividos que o fantasma da idade não lhe intimida, pelo contrário, só a estimula a manter o sorriso no rosto.

Na capital cearense ela tornou-se referência no eixo da dança contemporânea. Um lugar ao sol conquistado através de altos e baixos de quem decidiu, com a cara e a coragem, ser artista e viver de dança em solo nordestino. Silvia agarra-se na arte com todas as suas forças, abraçando o dom de dançar genuinamente diante das intempéries que somam a carreira do artista. O ritmo é o seu escudo de proteção contra as investidas do destino, que desafia tanto a Arte como a Realidade.

A via dupla entre “Arte e Realidade” é um percurso que poucos arriscam seguir; ou melhor, uma pequena parcela decide pagar o preço da carreira. A lista dos desistentes anônimos não é curta, a saber, mas, nos últimos anos, a Capital do Sol tem revelado uma safra afiada de estrelas nordestinas. Do Ceará às grandes metrópoles, e para o exterior, cito alguns nomes para confirmar o outro lado da moeda. Nela, está a top model Valentina, o ator Silverio Pereira, a atriz Mey Ferdinand, o poeta Bráulio Bessa – reconhecido como ativista da cultura nordestina no mundo, e Halison Cezar – o jovem aventureiro que se tornou manchete na Índia através do intercâmbio voluntário. 

Atualmente, Silvia Moura é figura conceituada entre os artistas da dança contemporânea no Ceará. Em 40 anos de carreira, ela incorpora o lado extremo do título que leva, pois o status de Rainha serve apenas para manter as formalidades. O trono onde melhor se assenta está logo ali, no chão, onde se arranja ao redor do séquito congregado sem bancar a pose. Talvez, o hábito de sentar no chão livremente revela o seu encontro com a dança na infância. Hoje, já tendo percorrido vários territórios, conhecido pessoas importantes e encarnado vários papeis no palco, lhe garantiu um lugar disputado por muita gente. Foi graças à dança que conseguiu construir a sua própria identidade, ganhando destaque no cenário das artes e da cultura local. Entretanto, encerro apenas um insumo sobre a bailarina, a mãe e a mulher que traduz o porte de ‘Rainha da Dança Contemporânea’, – sempre munida de espírito valente e simplicidade.

Silvia foi recebida na varanda da ‘Vila das Artes’ sobre a brisa da tarde aconchegante, no centro da cidade de Fortaleza. A minha entrevista mais aguardada estava prestes a começar às 15h21min, sendo concluída por volta das 17 horas quando o sol se recolhia.

P.M.AA dança já lhe permitiu incorporar vários ‘personagens’ no teatro. Mas, quem é Silvia Moura longe das cenas sem está representando nos palcos?

Silvia M.– Nos últimos anos tentei aproximar a minha dança da vida, então, não me vejo representando muitos personagens na dança e no teatro. Na verdade, na dança falo de mim, da cidade, das coisas que vivo, que enfrento, das situações que tive a oportunidade de perceber e conto as histórias de outras pessoas próximas a mim. Nesse sentido, o personagem no palco sou ‘eu mesma’, um ‘eu’ mais dilatado. Em cena, você fica um pouco maior. Não é possível ser o tempo inteiro como se é no palco, senão ninguém suporta. É muita energia desprendida.

Acredito que não sejam ‘personagens’ como na concepção da palavra. Na realidade, são partes de mim, vivências fragmentadas da Silvia de cada momento. Só construí aquilo que acho mais valoroso para ser uma artista próxima do que sou na vida. As minhas falas em cena têm uma identificação com o que vivo no dia a dia. Desde 1988, quando assinei o meu trabalho, tentei fazer essa ligação direta com a vida, e isso tira você dessa vaidade de ‘estrela’. 

Eu sou uma pessoa comum que fala com todo mundo. Não faço distinção entre as pessoas. Da mesma forma como me dirijo ao prefeito da cidade, trato um porteiro naturalmente. Aprendi assim, tratar a todos com respeito e educação. 

P.M.AViver de arte no Brasil não é sinônimo de sucesso financeiro, e muito menos para qualquer pessoa. Fico pensando no artista que enfrenta grandes desafios no cenário cearense em tempos de crise econômica. No seu caso, está difícil se manter na dança contemporânea tendo que superar as dificuldades e o preconceito por ser bailarina nordestina? Você escolheu a dança ou a dança a achou primeiro?

Silvia M. – Ambos, disse Moura. A dança me achou, mas eu também decidi ficar. Foi uma escolha cotidiana. Existem mil possibilidades de desistir, não aguentar, e desejar coisas que nunca irá possuir nessa carreira. Sempre terá algo tentando lhe desviar para outro lado. Quem vive de ‘Arte’ lida com essa faca de dois gumes. Acima do ‘bem e do mal’ chega o momento que é preciso escolher entre a vida ‘estável e instável’. Que horas você vai se dedicar a sua arte em uma jornada de trabalho que leva quase o dia inteiro? Porque o trabalho formal rouba a sua energia totalmente.

Mas, não podemos nos iludir que isso não aconteça no mundo artístico. A nossa rotina também demanda energia. Não é só entrar no palco e se apresentar. Existe o antes e o depois que lhe consome demais. Após o espetáculo, tem a produção a ser desmontada e levar para casa. Se você não dispõe de um séquito de assistentes, o jeito é assumir essa tarefa.

Em relação à questão da sobrevivência, o artista sofre quando deseja o status de médico ou de um empresário. Quando ele está no mundo informal e deseja o rótulo do meio formal. Então, aí existe um choque. Ele nunca vai ter os direitos que as pessoas desse nicho têm. Acredito que está muito distante de termos as nossas necessidades básicas asseguradas. Porém,viver de arte é uma decisão pessoal.

Ser artista é uma escolha. É muito mais que profissão. É uma forma de estar na vida, de ver, e falar do mundo. Algumas pessoas não têm esse chamado. Eu tive. E, sendo artista, posso dizer que tenho o bônus e o ônus. Nunca fui deslumbrada.

P.M.ASilvia, o artista encontra grande dificuldade de reconhecimento na sociedade brasileira. Eu lhe pergunto, você se sente valorizada como profissional no local onde conseguiu se consolidar com a ‘Dança Contemporânea’?

Silvia M. – O artista está muito mais preocupado em existir do que sobreviver. Eu acho que já tenho um reconhecimento como artista, sabe, e não discuto a questão de ser ou não profissional. Isso não faz muito sentido para mim. A diferença do profissional e o artista é que nós, os artistas, podemos balizar e estabelecer ações convenientes ao nosso trabalho. Então, nesse sentido, já que vivo e ganho dinheiro com a dança, posso dizer que sou, sim, profissional. Ainda mais agora, estando registrada na minha categoria. [Moura dá risadas]

Em seguida, perguntei o motivo de atender às exigências. Ao que ela me respondeu: “Fui obrigada ao registro por causa de um projeto de circulação nacional onde fui aprovada e exigia a documentação”.

Logo depois, falei no meio da entrevista: “Isso é maravilhoso!”.

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A Porta-voz da Moda Inclusiva no Brasil tem nome e sobrenome. Ela chama-se Daniela Auler.

Por: Lima Sousa – Fotos:  Rute Yumi

O slogan “A moda é para todos” se transformou nos últimos anos em uma espécie de mantra nas redes sociais, nas ruas, e, principalmente, entre alguns profissionais da moda. A frase soa o grito democrático de pessoas que buscam ver mais igualdade dentro de um universo que ostenta um padrão de beleza rigoroso e que não contempla a realidade física de muitos homens, mulheres e adolescentes. Um padrão que se estende desde a década de 60 quando surgiu a modelo Twiggy influenciando o perfil de magreza exagerado nas fotos. A modelo roubava atenção por apresentar uma silhueta reta, ter os braços e as pernas finas e manter-se abaixo do peso. Ou seja, um tipo físico fora dos padrões normais para a sociedade e que continua forte na mídia e nas passarelas.

Eis que um grito democrático se oficializa na esfera fashion pelo designer de moda italiano (naturalizado francês) Pierre Cardin ao completar a frase “A moda é para todos e não só para uma elite”. Daí em diante, a ditadura da moda começa a viver seus primeiros dias de transição para dar espaço às diferenças. O que nunca se viu nas passarelas, pessoas com algum tipo de deficiência, começa com certa frequência a fazer parte dessa rotina. A responsável pela ideia é Daniela Auler, que no ano de 2009 idealizou o primeiro concurso de Moda Inclusiva no estado de São Paulo. Finalmente, um grupo de pessoas colocadas à margem da sociedade passam a ser representadas em um mundo onde não havia lugar para elas. Um lugar mais que merecido, pois que o concurso Moda Inclusiva já está na sua 8ª edição e segue ganhando asas em territórios da Europa. Um deles foi na capital da moda, Milão, no evento “LA NORMALITÁ DELLA BELEZA”.

A próxima parada é na capital cearense, onde o tema vai reunir profissionais no primeiro ‘Seminário Moda Inclusiva 2017’. A porta-voz da Moda Inclusiva, Daniela Auler, statement no assunto, compartilha nessa entrevista a experiência sobre ‘Moda e Deficiência’ que fará parte do seu discurso nos dias do evento.

Portal Moda e Arte – O que sensibilizou você a idealizar um projeto exclusivamente para pessoas com deficiência?

Daniela Auler – São vários os motivos. Primeiramente, eu nasci em uma família de médicos e lembro que a minha infância foi brincando nos corredores de hospitais. Eu sou formada em moda e já trabalhei em diferentes áreas do Processo de Desenvolvimento de Produto e do Mercado. O projeto teve início quando estive em uma conversa com a Drª Linamara Rizzo Battistella, hoje, Secretária da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo. Ela me questionava o porquê a moda ainda não tinha criado um acesso para as pessoas com deficiência, – ela é médica fisiatra e trazia esse questionamento dentro de si. Essa reflexão foi o que me levou à Rede de Reabilitação Lucy Montoro, que é destinado à reabilitação de pessoas com deficiência. Eu queria entender de perto como era o mundo dessas pessoas e passando a conversar com elas em processo de reabilitação, descobri que o universo da moda seria ideal para resgatar a autoestima, autonomia e que tinha milhares de designers e modelagens de roupas que facilitariam a vida delas. Foi dessa forma que o estudo sobre a Moda Inclusiva começou a fazer parte da minha vida. 

Fotos: 1 – Twiggy/ 2 – O concurso/ 3 – Entrevista na cafeteria 3 corações.

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O ator Ari Areia é um espetáculo de realidade

Por: Lima Sousa – Fotos: Acervo

“O jornalismo é como se fosse um fio que liga as pessoas ao mundo”. A frase é de um autor desconhecido e se encaixa perfeitamente em um dos nomes mais destacados quando se fala em teatro, cultura e comunicação. 14055074_1139514846127821_229938578651312794_nEstou falando do jornalista Ari Areia.

Ele é uma das grandes figuras da cena local, chama atenção com o seu jeito de ser e está conectado com diversos gêneros no mundo da cultura. Como se não bastasse o título que leva, no currículo do moço listam outras atuações no ramo profissional. Ari Areia tem muito pano para manga e revela sua outra versão, que pode ser apreciada nos palcos do teatro onde desdobra o ar de sua graça. Quando entra em cena, o seu estilo é do tipo que provoca, estimula, incentiva e causa diversos comentários. Sobre a margem do bom senso, alguns de seus espetáculos, como Histórias Compartilhadas e a peça Caio e Leo, foram marcadas pela censura. Sucesso de público durante o tempo que estiveram em cartaz, ambas as peças superlotaram o teatro da casa e, inclusive, Caio e Leo, que se apresentou no Rio de Janeiro e foi nota nos principais jornais da Cidade Maravilhosa.

Por conseguinte, concluindo a base desse tripé artístico, ele ainda abraça a missão de ativista no grupo GLBT do Estado do Ceará. 10650052_817257238343124_4348790645234768322_nO ator defende os direitos da diversidade sexual, o respeito às causas relacionadas à cultura, arte e cidadania na capital. Diante disso, o lema que melhor define seu repertório performático na cidade é: “Quem não luta por seus direitos não é digno de merecê-los”. A frase é antiguíssima, mas se levada ao pé da letra tem tudo a ver com o que tem buscado até hoje. Justiça!

Dias atrás no seu Facebook escreveu o seguinte: “A justiça não é cega. Ela é racista e burguesa.” O jornalista deixa claro que está de olhos bem abertos para os fatos marcantes que acontecem e passam despercebidos, com frequência, na sociedade. Como vemos, não é o caso do ator que é superinteirado no que diz respeito à informação. 15401048_1124102357702981_1862746410603059149_nÉ tanto que decidiu ser o porta-voz da diversidade sexual na capital cearense ao ter se candidatado a vereador na luta pela equidade e os direitos da classe GLBT.

Para muitos adolescentes que buscam uma referência dentro da cidade, Ari Areia conquistou a confiança de vários jovens e já é considerado um dos padrinhos do público GLBT com um número de seguidores significativo no Estado. A seguir, a entrevista exclusiva para o Portal Moda e Arte.

Portal Moda e Arte – Que perfil tem o seu trabalho como ator dentro do teatro?

Ari Areia – Eu faço teatro profissionalmente há seis anos dentro da companhia Outro Grupo de Teatro. 13907149_651858308302364_1519423705329434732_nEm comparação às minhas referências como Herê Aquino, Silverio Pereira e o grupo Bagaceira, é um tempo muito curto. Acho que ainda existe um percurso a ser trilhado para começar a definir as minhas características. A arte é algo que precisa ser da ordem do ‘espanto’. A poesia, o teatro, o cinema e a música em algum aspecto têm que despertar e deslocar algo. E isso está em construção constante. Eu ainda estou bebendo de muitas fontes. Tem muitas coisas que ainda não experimentei em cena. O que me estimula nesse momento são as questões que estou atravessando. Quando eu olho para trás vejo que já trilhei um percurso consciente com aquilo que acredito ser a função da arte.  Essencialmente, me sinto feliz com o caminho que estou trilhando.

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Eveline Oliveira encontrou mil e uma razões entre arranjos e buquês pra enfeitar o jardim da vida. Pra não dizer que não falei de Flores!

Por: Lima Sousa

 Fotos de Entrevista: Sergio Vieira / Fotos de Acervo – Portfólio de Eveline Oliveira

A primavera faz verão na vida da Design Floral Eveline Oliveira, que é apaixonada pela beleza da estação das flores. Para ela, esse é o melhor e mais lindo período do ano. No Brasil, a época das flores tem início em 22 de setembro e chega ao fim no dia 21 de dezembro. O fascínio da natureza é prolongado, garantindo uma decoração natural nos dias quentes pra enfeitar o calor da capital cearense. img-20161009-wa0049Pra ficar melhor, só está faltando a chuva pra aliviar as brasas da estiagem. É nesse momento onde a design entra em ação reunindo as principais ferramentas de trabalho pra deixar a decoração floral impecável.

Sem esperar de alguém as rosas, muito menos o clima apropriado, existem mil motivos que levam Eveline Oliveira a continuar criando sob o sol e a chuva, principalmente na época das flores em que encontra o verdadeiro sentido de ser quem é hoje. aniversario-das-blogueiras-artificialTendo se especializado ao longo dos anos no ramo da arte floral desde a década de 90, a design floral traz em seu íntimo o forte desejo de popularizar a floricultura através dos cursos que organiza na cidade.

“Fortaleza não dá espaço ao profissional da arte floral de expor o seu trabalho. É quase impossível colocar a beira mar e nas praças os nossos produtos que teriam uma saída. Quando menos se espera, a fiscalização chega com a ordem de retirada.”, afirma Eveline. Talvez, depois dessa, a única coisa a fazer fosse buscar outra atividade melhor, ao menos alguma coisa onde não a colocasse sobre investigações, algo onde pudesse estar longe do fisco. Mas isso não foi o bastante para vencê-la diante de tanto tempo ao lado dos cravos, girassóis, margaridas e muitas outras variedades de flores. Eveline Oliveira mostra-se uma Rosa em pessoa na hora de driblar as barreiras que tentam impedi-la, mais que isso, com um pouco de menina e um tanto de mulher, consegue levar na esportiva a sua obra de arte sem prejudicar ninguém. Resumo da ópera: a única coisa que se sabe é que ela vai continuar por um bom tempo enfeitando a vida de flores até quando os seus dias permitirem. E que ninguém diga que não falei de flores após a entrevista, hein!

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Os Verminosos Rock Band resgatam o ritmo do rock dos anos 80 e conquistam a nova geração de jovens da atualidade com exclusividade.

Por: Lima Sousa

Fotos: Aldair Pereira – Direção Artística: Alexson Vale

É nos embalos do rock da década de 80 que os Verminosos Rock Band agitam a galera durante as noitadas cearenses.  A banda é composta por Alysson Oliveira (vocal); Gui Rodrigues (vocal e guitarra); Jorge Junior (baixo); Antônio Marcos (guitarra) e Luís Cláudio Anjos (bateria). Juntos, eles viram a chance de tocar o ritmo alternativo com a ideia de unir música, história, costumes e legados das gerações do rock nacional brasileiro, a fim de não deixar cair no esquecimento as origens artísticas que fizeram parte da história do rock nacional no Brasil.ALD_0564

É no jeitinho cearense que conseguem marcar com criatividade a vida dos fãs ao som das bandas consagradas da época que até hoje deixam saudades e causam nostalgia no público. É relembrando o passado do rock nacional brasileiro com bastante diversão e intimidade que eles se diferenciam entre muitas outras bandas locais no estado e por todo o Nordeste. Muito mais que isso, eles usam como elemento fundamental a ‘valorização cultural do ritmo’ que forma um dos itens de paixão indispensável na vida de cada um deles, depois dos amigos, familiares e outras atividades. 

Atualmente o projeto da banda é inteiramente voltado ao ‘Tributo aos Titãs’ com músicas originais do álbum ‘Cabeça Dinossauro’, que foi na década de 80 uns dos maiores álbuns de sucesso. Com músicas originais do disco, os Verminosos Rock Band prometem levar o público ao êxtase com mais de uma hora de show, ao relembrar os clássicos da banda que ficou imortalizada no país, totalizando duas horas de rock and roll que se transformam numa eternidade durante toda a apresentação. A banda está no mercado musical há pouco mais de um ano e meio e nesse curto período vem dando o que falar. É por esse e outros motivos que queremos ficar por dentro de todos os detalhes que eles mantêm a sete chaves. Confira a entrevista.

Lima Sousa – O termo ‘verminoso’ é bastante usado pelo cearense. A escolha pelo nome da banda traz a influência dessa expressão que é típica no Estado? Como surgiu o nome ‘Verminosos Rock Band’?  ALD_0555

Guilherme Rodrigues – O termo ‘verminoso’ nasceu no estúdio da minha casa onde tudo começou a tomar corpo. A escolha por um nome aconteceu devido a muitas perguntas durante os ensaios no ‘QG’, o estúdio; é lá onde ficam guardados a Merylou, os cartazes e as chaves da pousada que nos esquecemos de devolver do show passado. Nós somos amigos e temos essa característica em comum tipicamente “Cearez”, digamos assim, de ser verminoso, no caso, pelo rock nacional brasileiro e gostar muito, muito de tocar. Foi nesse ambiente que o nome caiu como uma luva pra configurar a nossa banda. Porque ‘verminoso’ tem o significado da pessoa que gosta de fazer uma coisa repetidas vezes. Daí, Verminosos Rock Band passou a ser o nome oficial mais adequado para o grupo. 

L.S – Os Verminosos Rock Band têm apenas um ano no mercado musical do rock. No início, foi difícil a aceitação da banda ou a reação do público correspondeu às expectativas?

Alysson Oliveira – A nossa aceitação teve aquela receptividade muito rápida com o público à primeira vista.  Estamos acostumados a dizer que é preciso ter um pouquinho de ‘sorte’ e conquistar a simpatia do público para obter o sucesso. É somando isso que se consegue ter uma receita, se é que existe uma ‘receita’ para fazer sucesso. Pra banda, foi algo que nos surpreendeu, pois existem muitas bandas bacanas na cidade ralando e que até hoje não conseguiram tocar nos espaços que os Verminosos Rock Band chegaram a tocar.13256523_790491831087841_8410119324848057959_n

Luis Cláudio Anjos – No começo, existiu aquele receio por que a cena da cidade apresenta uma carência de bandas que tocam o estilo do rock anos 80. Pra gente foi uma experiência nova tocar o estilo de uma forma diferenciada das bandas que tocam couver; Nós chegamos com essa proposta do rock raiz, estilo pós punk, e começamos a tocá-lo para o público que viveu essa fase e sentiam a falta do ritmo musical. Acredito que foi nesse ponto do rock nacional da década de 80 que nós tivemos uma boa aceitação. De início, pra nós, gerou aquela incerteza, mas a aceitação imediata foi aos poucos fortalecendo a nossa autoconfiança.

L.S – A banda inclui no repertório outros ritmos como os grandes sucessos internacionais do rock de 80 para agradar o público atual? Digam-me, quem é o público de vocês? 

Luis Cláudio Anjos – O nosso público é bem variado com relação ao rock nacional de 80. O ritmo do rock dessa época conseguiu conquistar várias gerações. Então, existe um grupo dessa fase, mas tem uma segunda geração que vem curtindo muito as bandas que tocamos, desde Legião Urbana, Engenheiros do Havaí, Plebe Rude, Ira e os clássicos do rock internacional que entram em nosso repertório também.

L.S – E qual é a proposta lançada do ‘Internacional’ pelos Verminosos Rock Band dentro do repertório musical para o público de vanguarda e as novas gerações?

Gui Rodrigues – Com relação ao nosso público,tem uma galera jovem, sim, aquela turma de vinte aos trinta anos e a mais madura que vibra bastante enquanto agente toca. Mas existe a proposta musical do ritmo internacional como Jimi Hendrix, Creedence e I’am que estão incluídas no repertório da banda. ALD_0567A proposta dos Verminosos foge da ideia de ser aquela banda ‘couver’ de fulano ‘X’. O mais importante pra nós dentro desse repertório variado sempre foi se divertir e dá o melhor de nós, com ou sem público; se esse desejo fosse atendido, de ser feliz com o que estamos tocando, a banda já estava no lucro; o resultado seria uma consequência.

L.S – Já que foi imediata a aceitação do público ao estilo musical dos Verminosos Rock Band, conte-nos o que deu tanta segurança à banda antes, durante e depois dos resultados positivos?

Alysson Oliveira – Ao mesmo tempo em que gerava uma expectativa se daria certo ou não a banda no cenário musical cearense, a nossa consciência e o olhar para a década de 80 que marcou a sociedade brasileira era algo que nos dava segurança. A época teve fortes influências da cultura, moda e política com a ditadura militar que fez nascer as principais bandas de rock nacional com letras inspiradas no regime autoritário que traziam críticas ao sistema da época no país. A riqueza desse ambiente deixou um legado enorme ao que queríamos propor às pessoas que curtiram esse momento. Então, assim, agente tinha uma segurança muito grande em apostar na ideia relacionada aos anos 80 e foi o que deu certo para os Verminosos…

L.S – E qual parte do cenário do rock nacional brasileiro melhor representa a identidade da banda?

Alysson Oliveira – Cada um de nós tem o seu próprio conceito do significado da mensagem que a banda transmite ao público. A minha opinião, particularmente, é que a década de 80 representa a época da crítica em que as pessoas reivindicavam os seus direitos e criticavam o modo de vida que viviam. Eu sinto muito disso dentro do repertório que agente toca; Afinal de contas, essas músicas, elas têm mais de trinta anos e suas letras continuam atuais ao falar dos nossos problemas como educação, desigualdade, saúde e a política, essa então, piorou; Então, a crítica é uma parte desse cenário e leva um pouco da minha indignação e dos Verminosos também. 

Luis Cláudio Anjos – O nosso querido Renato Russo já dizia na música “Que País é Esse?”.

L.S – Nota-se um cuidado dos Verminosos quanto à escolha das bandas que tocam no palco. Essa mesma dedicação é igual para o figurino da banda durante as apresentações? Especialmente, quem cuida da produção de estilo? 13315585_790491501087874_8244458565046166203_n

Luis Cláudio Anjos – A banda está se ajustando aos poucos com essa ideia do figurino. Ainda não temos um profissional específico pra cuidar dessa parte, mas como eu trabalhei muito tempo na moda como designer gráfico, por enquanto, essa parte quem tá cuidando sou eu. Já teve um show que tocamos todos vestidos com a camisa de super-herói dos anos 80, que foi muito bacana; pra nós, teve uma repercussão muito grande com o resultado das fotos que ficaram divertidas. Ainda estamos estudando a possibilidade de alguém pra cuidar exclusivamente dessa parte. Não temos uma certeza, mas quem sabe, o céu é o limite (…)

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