Salve, salve Belchior!

O artista que marcou o Brasil fica consagrado na história e deixa uma grande lacuna na MPB

Por: Lima Sousa/ Capa: Luis Claudio Anjos/ Imagens: internet

Transcender

Terça-feira, 2 de maio de 2017. No palco do Anfiteatro do Centro Cultural Dragão do Mar, acontecia a missa de corpo presente do cantor e compositor Belchior. Um espaço voltado para as atrações da cidade havia sido tomado por um contingente de pessoas que lamentavam a morte do ícone da MPB. Ele deixava uma imensa lacuna na arte musical do país e especialmente para o público cearense. Uma cena marcante que dilacerou os corações dos familiares, amigos e principalmente dos fãs que assistiam à missa celebrada pelo Frei Ricardo Regis. O frade capuchinho tinha uma voz suave e dirigia a homilia em frente ao caixão do artista.

“A vida é uma passagem para todo ser humano, mas quando esse ser humano realizou ao longo do seu caminho uma história diferente, então, ele vai deixar, digamos, um legado maior. Seja de expressão, de sensibilidade, da música e da arte em si. Tudo isso nos faz transcender. Celebrar um momento como este é partilhar a dor que a família e os fãs estão vivendo.  O talento e o dom que Deus deixou em nós é o melhor de Deus. Então, são essas coisas boas que o outro teve e que nós fazemos esse memorial que serve também a gente. A música nos transcende, nos faz viver, nos alegra, nos mergulha no passado, nos deixa no presente e nos lança para o futuro também”, completou o padre.

O caixão no centro do palco era velado de orações que soavam em uníssono por familiares e fãs que vieram de outros estados do Brasil. A cena fúnebre era contemplada pela imprensa que infestava o local a fim de registrar um momento ímpar na história da música popular brasileira. A morte do cantor teve repercussão em todos os veículos de comunicação do país. Todos queriam fazer a melhor cobertura sobre a despedida do homem que se transformou em um dos maiores símbolos da musica, da poesia e da filosofia nordestina. A famosa plataforma de buscas, o Google, registrou um número relevante de pesquisa pelo artista depois de sua morte. No site Tribuna do Ceará, foi publicada uma matéria cujo título era: “Morte de Belchior provoca ‘explosão’ de buscas pelo cantor no Google”. A matéria, escrita por Lucas Barbosa, mostrou números significativos do público que buscaram pelo cantor e compositor na internet. Em nível nacional, o  estado do Ceará foi líder das buscas de acordo com os dados do Google Trends. As suas canções também foram alvo das pesquisas digitais; as três mais procuradas foram “Todo sujo de batom”, “Como o Diabo Gosta” e “Coração Selvagem”,com um número de 250%. Esses dados nos levam a crer que a vida e a obra de Belchior merece ser estudada com todos os seus detalhes.

O governador do Estado, Camilo Santana, tinha visitado o velório na segunda-feira de feriado internacional. A data 1º de maio homenageava o dia do trabalhador em vários países do mundo. No site de notícias da cidade, o ‘G1 Ceará’, o governador aduziu consternado:

“Além do grande poeta que era, ele usava a sua letra para lutar por um mundo melhor. E viver um mundo melhor, porque a gente sonha, mas a gente quer viver esse mundo melhor”.

Mas a música estava predestinada a fazer parte de sua trajetória de vida. Foi na infância em que passou a estudar piano e música coral no Ceará. Na cidade natal onde nasceu, Sobral, trabalhou na rádio e no ano de 1962 mudou-se para Fortaleza a fim de estudar Filosofia e Humanidades. Mais adiante, foi estudante de medicina, vindo a largar o curso no ano de 1971, – encontrando-se na música, onde se entregou de Corpo e Alma. 

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, o notável Belchior, como se tornou conhecido no mundo artístico, foi encontrado morto pela esposa Edna num dia de domingo, em Santa Cruz do Sul (RS). O trovador estava com 70 anos de idade e vivia há quatro anos na cidade de 126 mil habitantes do Vale do Rio Pardo, cerca de 150 km de Porto Alegre. Sua morte repentina dá indícios de causa natural, uma vez que a esposa relatou à polícia que Belchior havia se sentido mal na noite de sábado, quando se queixou de frio e foi descansar no sofá da sala, onde produzia suas composições, e não acordou mais. O noticiário ‘G1 Ceará’ informou também que a morte do cantor deu-se em função de um rompimento da artéria aorta, segundo a delegada Raquel Schneider que manteve contato direto com o médico do IML da cidade de Cachoeira do Sul, responsável pela necrópsia do artista.

A repercussão nacional fez o Governo do Estado do Ceará e a Prefeitura da cidade de Fortaleza decretar LUTO oficial de três dias. Um luto que vai levar um longo período para os fãs encarar o fato de que Belchior não está mais entre nós. O tempo que se leva para transcender a perda de alguém não se dá em poucos dias. Quanto mais ao tempo que o artista devotou com a arte de emocionar o público. A despeito disso, perante o pesar das autoridades, a ficha vai demorar a cair, contudo, cada um fez a sua parte, dando o seu melhor no que se refere à solidariedade dentro das formalidades. A morte desperta fantasmas e deixa traumas que leva tempo para sarar. O bom é que Belchior nos deixou como herança um repertório musical recheado de inspirações para superar a saudade.

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O Que ‘Eles e Elas’ Pensam sobre o Portal Moda e Arte

Por: Lima Sousa – Capa: Valne Colibri

As pessoas mais “cool” do cenário cearense falam o que pensam sobre o blogue Portal Moda e Arte.

Estante Cultural

No mundo da moda não basta simplesmente ter. Acima de tudo, é preciso ser. Sobre todos os símbolos e códigos que ela representa. Principalmente, quando se entende moda para além dos rótulos. Por esse motivo, selecionamos, de A a Z, as principais personalidades ligadas no assunto para falar o que pensam do blogue no cenário local. Saiba quem são as faces e fique por dentro do que eles e elas pensam, de fato, do Portal Moda e Arte. Gente top!

“Vejo o Portal Moda e Arte como um instrumento válido de acesso virtual à Cultura, pois conversa com as mais variadas áreas do cenário artístico cultural e apresenta matérias repletas de identidade e de informações relevantes. A escolha dos convidados parece-me muito bem estudada e a pauta das entrevistas mostram-se consistentes e convidativas. É de suma importância o ato de mantê-lo ativo, pois agrega muito valor ao cenário cultural e artístico da cidade de Fortaleza, que se apresenta no momento carente de iniciativas como essa, que levam informação com credibilidade de uma maneira leve, descontraída, porém, muito bem pensada e planejada”, diz Maria Daniele Gomes – Designer de Moda/ Professora Técnica e Universitária e Conselheira do Fórum Permanente de Moda de Fortaleza.

“O Portal Moda e Arte surge no cenário midiático da cidade com uma visão inovadora e diferenciada, trazendo a informação com um toque de conversa informal que deixa o assunto fluir de forma espontânea e atrativa, como numa conversa entre amigos. Em verdade, não seria de outra forma, uma vez que o jornalista Lima Sousa tem uma maneira toda especial de realizar o seu trabalho. Trabalho que tem deixado sua marca, divulgando a arte, o estilo, as tendências atuais e os espetáculos mais interessantes, enfim, os assuntos culturais mais relevantes que movimentam a nossa cidade, que vive um dos seus momentos mais vívidos de efervescência cultural. Parabéns pelo tempo que se completa, e todo empenho dedicado nessa área da informação. Que essa experiência seja o coroamento de um novo ciclo que se renova, com novas ideias e muito sucesso”, diz Zeh Ribas, Artista Visual e Poeta.

“No mundo contemporâneo é impossível ignorar a importância da internet na nossa vida cotidiana, contudo, me preocupa que essa ferramenta, que tem um forte potencial na difusão da diversidade e da pluralidade, esteja ocupada por conteúdos repetitivos e de pouca profundidade. No geral, os blogues de moda e as influenciadoras digitais foram se transformando em meros veículos de propaganda, reduzindo a moda ao consumismo. Nesse contexto, o Portal Moda e Arte é um presente para o público que curte um conteúdo de moda mais abrangente, pois coloca a moda no lugar que ela merece, ao lado das artes e como instrumento de agitação cultural. O blogue resgata a moda insurgente, como aquela que Chanel inaugurou quando abandonou as roupas pomposas e desconfortáveis, dando lugar a modelagens mais compatíveis com a vida da mulher moderna”, diz Mayara Magalhães, Socióloga e Produtora Cultural.

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O Portal Moda e Arte Apresenta a Nova Linha Editorial na Vila das Artes

Por: Lima Sousa – Fotos: Aldair Pereira 

Arte- Cidade

O Portal Moda e Arte não vê a hora de assumir a nova versão editorial após ter arrumado a casa virtual. A página, que é conhecida na capital cearense pela autenticidade de narrar de um jeito único, entrou de cabeça em sua fase atual, que traz uma gama de novidades, aliada a um conteúdo diferenciado sobre moda, arte e cultura local.

A home do blogue está em clima de festa com o novo conceito regional, que vai exibir uma identidade mais autoral e personalizada. A repaginada permitiu segmentar os assuntos de forma que as pautas fossem colocadas em colunas específicas. Reparem que agora a página mostra um grupo de novas colunas que destacam temas de variados estilos. É como diz o ditado popular: “cada um no seu quadrado”.

Dessa vez o blogue estampa uma seção de colunas que dá espaço para assuntos de cunho social e que são relevantes no mundo moderno. Um deles é a ‘Espiritualidade’, que será abordada na coluna ‘Transcender’ e traz os temas de superação, relatos de experiências, fé e se propõe à cultura de paz na rede digital. Em seguida, a coluna ‘É tudo de bom’, que realça temas como: viagens, culinária, vida saudável e as belezas da cidade para aqueles que curtem a vibe mais lifestyle.

Já quem curte uma pegada cult e não troca por nada nesse mundo o livro de bolsa ou de cabeceira, vai poder visitar a coluna ‘Estante Cultural’. Nela, os leitores são convidados a visitar uma estante multicultural que dispõe desde os lançamentos literários, bienais, feiras, cinema, eventos, esporte, música, a uma série de manifestações artísticas. E é claro que a moda não poderia ficar de fora nessa conversa toda. Com certeza, ela ganha a vitrine com o título ‘Moda Local’, representando as labels do Estado. Já as entrevistas, carro chefe do blogue, garantem continuar mostrando as faces do momento com muito mais ousadia. No cabeçalho da página também tem lugar para outras colunas, como: ‘Arte-Cidade’, ‘Colunistas’ e ‘Minha Praia É’ somando ao entretenimento do blogue. Ao todo, são oito colunas com propostas bem direcionadas onde muita gente vai poder se encontrar e se identificar através das matérias.

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A Porta-voz da Moda Inclusiva no Brasil tem nome e sobrenome. Ela chama-se Daniela Auler.

Por: Lima Sousa – Fotos:  Rute Yumi

O slogan “A moda é para todos” se transformou nos últimos anos em uma espécie de mantra nas redes sociais, nas ruas, e, principalmente, entre alguns profissionais da moda. A frase soa o grito democrático de pessoas que buscam ver mais igualdade dentro de um universo que ostenta um padrão de beleza rigoroso e que não contempla a realidade física de muitos homens, mulheres e adolescentes. Um padrão que se estende desde a década de 60 quando surgiu a modelo Twiggy influenciando o perfil de magreza exagerado nas fotos. A modelo roubava atenção por apresentar uma silhueta reta, ter os braços e as pernas finas e manter-se abaixo do peso. Ou seja, um tipo físico fora dos padrões normais para a sociedade e que continua forte na mídia e nas passarelas.

Eis que um grito democrático se oficializa na esfera fashion pelo designer de moda italiano (naturalizado francês) Pierre Cardin ao completar a frase “A moda é para todos e não só para uma elite”. Daí em diante, a ditadura da moda começa a viver seus primeiros dias de transição para dar espaço às diferenças. O que nunca se viu nas passarelas, pessoas com algum tipo de deficiência, começa com certa frequência a fazer parte dessa rotina. A responsável pela ideia é Daniela Auler, que no ano de 2009 idealizou o primeiro concurso de Moda Inclusiva no estado de São Paulo. Finalmente, um grupo de pessoas colocadas à margem da sociedade passam a ser representadas em um mundo onde não havia lugar para elas. Um lugar mais que merecido, pois que o concurso Moda Inclusiva já está na sua 8ª edição e segue ganhando asas em territórios da Europa. Um deles foi na capital da moda, Milão, no evento “LA NORMALITÁ DELLA BELEZA”.

A próxima parada é na capital cearense, onde o tema vai reunir profissionais no primeiro ‘Seminário Moda Inclusiva 2017’. A porta-voz da Moda Inclusiva, Daniela Auler, statement no assunto, compartilha nessa entrevista a experiência sobre ‘Moda e Deficiência’ que fará parte do seu discurso nos dias do evento.

Portal Moda e Arte – O que sensibilizou você a idealizar um projeto exclusivamente para pessoas com deficiência?

Daniela Auler – São vários os motivos. Primeiramente, eu nasci em uma família de médicos e lembro que a minha infância foi brincando nos corredores de hospitais. Eu sou formada em moda e já trabalhei em diferentes áreas do Processo de Desenvolvimento de Produto e do Mercado. O projeto teve início quando estive em uma conversa com a Drª Linamara Rizzo Battistella, hoje, Secretária da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do estado de São Paulo. Ela me questionava o porquê a moda ainda não tinha criado um acesso para as pessoas com deficiência, – ela é médica fisiatra e trazia esse questionamento dentro de si. Essa reflexão foi o que me levou à Rede de Reabilitação Lucy Montoro, que é destinado à reabilitação de pessoas com deficiência. Eu queria entender de perto como era o mundo dessas pessoas e passando a conversar com elas em processo de reabilitação, descobri que o universo da moda seria ideal para resgatar a autoestima, autonomia e que tinha milhares de designers e modelagens de roupas que facilitariam a vida delas. Foi dessa forma que o estudo sobre a Moda Inclusiva começou a fazer parte da minha vida. 

Fotos: 1 – Twiggy/ 2 – O concurso/ 3 – Entrevista na cafeteria 3 corações.

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Profissionais da moda cearense se reúnem no Seminário Moda Inclusiva 2017

Por: Lima Sousa – Fotos: Acervo do projeto

Não é de hoje que o mundo da moda ergue alta a bandeira do culto ao corpo perfeito. Uma de suas maiores vitrines são os desfiles de moda que refletem um espelho nítido dessa velha ditadura. Já estamos acostumados, ou melhor, fartos de assistir, durante os lançamentos de tendências, ao rígido padrão de beleza desfilado nas passarelas. Enquanto isso, outras plataformas virtuais, como sites e blogs especializados, estão saturados da mesma conversa e pouco fazem a diferença ou provocam mudanças significativas na sociedade.

Foto: @sjrmarques

Diante disso, seguimos assistindo à mesma cena de sempre – homens e mulheres de estrutura alta, magra e sem nenhuma privação a desfilar na passarela. Não há lugar para a imperfeição ou algum tipo específico de empecilho físico nesse meio; a única certeza que esse time oferece para os jovens, especialmente os adolescentes, é uma rotina sem muitas liberdades e uma vida regada de atos contínuos de sacrifícios para adquirir um corpo padronizado.

E qual seria o molde para criar uma nova proposta diferenciada no universo da moda? A aposta de inserir pessoas com deficiência no segmento é o primeiro passo para uma moda real e mais democrática. Pensando sobre este viés, surge na capital cearense o ‘Seminário Moda Inclusiva Fortaleza 2017’. O evento é idealizado por designers e profissionais dos cursos de moda da cidade. Todos eles engajados na área de políticas públicas com o principal objetivo de lançar um olhar sobre a questão ‘Moda e Deficiência’.

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