A moda respira novos ares com a recessão econômica mundial e muda os rumos no seu cenário de criação

Fotos: Capa – Luís Claudio / Imagens: Anderson Rocha

Novamente o clima no mundo da moda não tem apresentado boas estações para o ano de 2016 com a crise no mercado econômico mundial.

A única certeza que apontam as previsões nesse cenário é, sem dúvidas, um longo período de tensão em que a própria moda é colocada dentro de um contexto onde os recursos básicos são substituídos pela tecnologia de ponta; a tecnologia moderna surge para suprir o que anda ameaçando faltar e tem um valor caríssimo ao perfil de marcas de pequeno e médio porte no país.anderson-rocha

Diante do tempo nublado em que vive a moda, selecionamos uma das perguntas mais frequentes dos últimos dias: “Será o fim do mercado do Luxo?”. A atual instabilidade econômica no país gera grandes preocupações no setor, que, diante das oscilações, é obrigado a mudar os rumos na hora de produzir para o cliente. Um número crescente de marcas aposta na inovação do produto chamando atenção do novo consumidor que visa gastar menos, vestir consciente e usar peças com maior tempo de durabilidade. Difícil tarefa! Talvez nunca se tivesse pensando que a ‘roupa’ como objeto de desejo de muitos homens e mulheres teria um novo significado: de Chic a reciclável e fashion às peças sustentáveis.

“Eu me considero extremamente confiante na capacidade de adaptação do ser humano diante das situações adversas. Esse comportamento não é diferente no universo da moda em tempos críticos. Quem admira esse mundo e acompanha os eventos observa que os profissionais da moda estão sim redescobrindo e fazendo a releitura de seus próprios conceitos. Repaginar é preciso. Mudar sem perder a linha, a postura e a beleza. Testar novas matérias e torná-las ‘prima’, atraentes e acessíveis. Há um exagero contundente de criatividade no ar. Sempre foi assim. E sempre vai ser. O indivíduo precisa estar bem internamente e apresentar esse bem estar na aparência. Por isso a moda se faz tão fundamental, cobrando de seus profissionais a efetiva superação de si mesmos”, diz a professora Virginia Dourado do Instituto de Desenvolvimento Educação e Cultura do Ceará – IDECC.

A lei da procura foi influenciada com a recessão econômica e o consumidor está cada vez mais seletivo aos produtos. Para o mercado da vaidade, a oferta segue um ritmo desafiador quando o novo modelo de criação é influenciado pela proteção ao meio ambiente e pela economia em crise no país, que levou à queda dos preços e em alguns casos fechou as portas de magazines; outras marcas apostam na economia criativa como estratégia de desenvolvimento de novos negócios, tendências e criação de outras redes de conhecimento sobre a cultura de moda.  É ver para crer, com tudo isso, a moda atual está aos poucos redefinindo o seu DNA convencional para incorporar um novo estilo de ‘SER’ a partir do slogan: ‘Reduzir, reutilizar e reciclar’ – para se manter viva por mais tempo, e, é claro, continuar vendendo, – só que agora de forma consciente.

Foto de divulgação Riachuello
Foto de divulgação Riachuello

A situação convida o mercado fashion e os seus profissionais a reformular os moldes de criação para as próximas décadas visando uma ‘moda’ menos agressiva ao meio ambiente, ou seja, com menos impactos na matéria-prima da natureza. Dá pra ver que a moda já está passando por uma reforma na base dos processos de criação, isso é fato, desde o uso consciente dos recursos naturais como a água que no processo de lavagem consome o equivalente a 50 milhões de litros ou mais em algumas empresas. Hoje, essa realidade começa a fazer parte da RIACHUELO, considerada uma das grandes marcas do fast-fashion e que reutiliza 75% da água usada na lavagem de 10 milhões de peças que produz por ano.

Decidimos por produtos químicos biosustentáveis. Eles fazem em um mesmo banho diversas etapas do processo com pouca água, se comparado ao processo convencioanal, diz Marcelo Araújo Machado, diretor industrial da marca em Fortaleza em entrevista para a revista TÊXTIL, edição 2015 a Fevereiro de 2016.

Outra referência de marca que há tempo desenvolve um trabalho socioambiental de excelência é a Natura. Atuante no segmento dos cosméticos desde quando foi fundada em 1969, a empresa adota desde sempre a prática de descartes e cumpre com a cultura do Verde em seu DNA. Foi nos anos 80 que a Natura inovou com o famoso método de refil de seus produtos e deu a ideia de reduzir as embalagens plásticas. 

Foto de divulgação Natura
Foto de divulgação Natura

A linha Ekos, lançada nos anos 2000, é mais um exemplo do seu comprometimento com o meio ambiente e se destina à sociobiodiversidade, – uma visão à frente para os produtos do mercado socioambiental e que ainda são pouco explorados na economia formal. Sem dúvidas, um modelo de marca, economia e negócio que dá lugar ao mercado da sociobiodiversidade no país.

Anderson Rocha
Anderson Rocha

Quem andava pensando que o assunto do momento, a sustentabilidade, era exclusivamente um bicho de sete cabeças no cenário da moda, se enganou redondamente. Como vimos, ela não é a única afetada ao conceito de produção sustentável tendo que mudar os rumos para se manter; outros segmentos previam a chegada de novas estações com o passar dos anos e aos poucos foram realizando mudanças no modelo de negócio, a exemplo disso, a citada companhia NATURA, que vem se adaptando com sucesso às exigências desse mercado.

A moda em questão pode ter demorado a cair a ficha com relação às transformações no mercado econômico atual, mas devido aos abalos que passa, começa a incorporar de um jeito ainda muito sutil as novas maneiras de criar e vender para um universo de signos, códigos e gêneros complexos. É valido ressaltar que acima de todas as pressões, o mercado do luxo segue otimista e promete continuar existindo por longas datas (…). Porque ainda não é o fim. É apenas o início de uma nova fase no mundo da Moda.

Revisado por: Juliana Nascimento – (Olhos de Lince) / Agradecimentos: Fotógrafo: Anderson Rocha – / Foto de Capa: Luís Claudio/ Vinyle Café – Rua:  Waldery Uchôa, 42 – Benfica.

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