Charles Chaplin na moda – Chaplin Plinchá

Ilustração: Lima Sousa
Chaplin Fashion Track

A série de ilustração “Chaplin Plinchá”, que traz o astro da comédia silenciosa Charles Chaplin, surgiu a partir de uma admiração artística estimulada de êxtase e enlevo. Foi através de uma simples leitura da Revista da Livraria Cultura do ano de 2013, que trazia a matéria intitulada “Para Rir, Chorar e Ouvir”, escrita por Fábio Scrivano, que mergulhei na vida do gênio da arte cinematográfica. Não imaginava a possibilidade de trabalhar com um projeto no qual o meu objeto central fosse tão completo como um dos maiores símbolos do cinema. E assim aconteceu! Quando me dei conta da situação, já havia desenhado uma boa parte da produção.

Era uma tarde de sábado na Livraria Cultura no Shopping Varanda Mall, na Avenida Dom Luís, no bairro Aldeota, ali estava eu, ao sabor de um cappuccino com alguns biscoitos e longe de toda agitação da capital cearense. Lá fora estava um caos! Não existe programação mais agradável como a de se ver impregnado de tanta cultura. Melhor passatempo não há! Algumas horas depois, quando se aproximava minha hora de voltar para casa, próximo à saída da Livraria, havia a bancada de vendas onde estavam disponíveis revistas e panfletos como de costume. Em seguida, fui em direção à revista de capa verde que chamou minha atenção. Era uma divulgação gratuita lançada mensalmente pela Cultura. Mal sabia eu que ali se encontrava o meu próximo trabalho intitulado ‘Charles Chaplin na moda- Chaplin Plinchá’.

Assim, fui movido pelos fatos inéditos que envolviam a carreira do artista; e, muito mais que isso, existia algo além, quase inexplicável pelo qual fui tocado, não sabia ao certo o quê, mas talvez uma magia no ar ou mesmo o gênero chapliniano de suas obras apoderou-se de mim ao ponto de me cativar profundamente, fazendo uso das minhas aptidões manuais para contar por mais simples que fosse ao mundo da moda uma versão tradicional nas cores preto e branco, expressando o riso, o choro e o silêncio de Chaplin.

As ilustrações de “Charles Chaplin na moda – Chaplin Plinchá” refletem alguns dos diferentes tipos de perfis de homens incluídos na sociedade contemporânea. São homens reproduzidos na figura do personagem O vagabundo Carlitos, um dos principais de sua obra, por trazer em si cada um o bigode famoso do malandro encantador. Todos eles incorporando a vestimenta básica do final do século XIX: chapéu coco, paletó, gravata, camisa e colete debaixo do paletó, calça social, sapato, bengala de bambu e um lenço branco no bolso esquerdo usado pelo personagem. Os desenhos mantêm a característica inseparável dos tons preto e branco, totalmente presente na filmografia de Chaplin. Neste trabalho não seria diferente associá-las para compor o protagonista de quase toda a sua obra.

O trabalho artístico traz um diferencial agregando sutilmente o toque da cor azul-colegial, dourado, violeta, mostarda, cinza e marrom-tijolo, para dar significado às etapas da vida do célebre na figura de “Carlitos”. Assim, a cor azul-colegial relembrando a infância e a fase escolar, a cor dourado sendo a conquista ao estrelato representado nos patins, a violeta como a morte de sua mãe Hannah, a cor mostarda, a pobreza, a cor cinza, as emoções contidas e a cor marrom, a humildade da vida que viveu.

O ano de 2014 marcou o centenário de Carlitos imortalizado na história e, apesar de passado muitos anos, sua personalidade é cada dia mais presente no cotidiano, influenciando milhões de pessoas, estilos, filmes, figurinos, comédias e até a moda atual, na qual é alvo dos grandes desfiles nacional e internacional. No Brasil, o estilista Alexandre Herchcovitch lançou a Coleção Masculina Primavera/Verão em 11 de junho de 2010 inspirada no filme Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, EUA, 1971. Dir.: Stanley Kubrick) e em alguns quadros do pintor surrealista René Magritte, explorando a estética da vestimenta chapliniana.

A morte não deu folga ao artista, muito menos descanso, e quem dirá sossego eterno com uma multidão pegando de carona o gênero cômico desejando faturar. Pelo visto, o bonde-Chaplin já ganhou o coração de quase toda a classe artística, assumindo, também, a forma da minha singela homenagem que traduz a riqueza de sua vida e os elementos componentes de sua obra. Admirem-se com as imagens!

Por: Lima S./ Edição: Lima S./ Revisão: Janaína Gonçalves/ Agradecimento: Olhos de Lince/ Referências: blogchaplin.com/Google/Biografia de Chaplin Minha Vida publicada em 1964/Ilustrações: Lima Sousa.