Eveline Oliveira encontrou mil e uma razões entre arranjos e buquês pra enfeitar o jardim da vida. Pra não dizer que não falei de Flores!

Por: Lima Sousa

 Fotos de Entrevista: Sergio Vieira / Fotos de Acervo – Portfólio de Eveline Oliveira

A primavera faz verão na vida da Design Floral Eveline Oliveira, que é apaixonada pela beleza da estação das flores. Para ela, esse é o melhor e mais lindo período do ano. No Brasil, a época das flores tem início em 22 de setembro e chega ao fim no dia 21 de dezembro. O fascínio da natureza é prolongado, garantindo uma decoração natural nos dias quentes pra enfeitar o calor da capital cearense. melhorPra ficar melhor, só está faltando a chuva pra aliviar as brasas da estiagem. É nesse momento onde a design entra em ação reunindo as principais ferramentas de trabalho pra deixar a decoração floral impecável.

Sem esperar de alguém as rosas, muito menos o clima apropriado, existem mil motivos que levam Eveline Oliveira a continuar criando sob o sol e a chuva, principalmente na época das flores em que encontra o verdadeiro sentido de ser quem é hoje. Tendo se especializado ao longo dos anos no ramo da arte floral desde a década de 90, a design floral traz em seu íntimo o forte desejo de popularizar a floricultura através dos cursos que organiza na cidade.

“Fortaleza não dá espaço ao profissional da arte floral de expor o seu trabalho. É quase impossível colocar a beira mar e nas praças os nossos produtos que teriam uma saída. Quando menos se espera, a fiscalização chega com a ordem de retirada.”, afirma Eveline. Talvez, depois dessa, a única coisa a fazer fosse buscar outra atividade melhor, ao menos alguma coisa onde não a colocasse sobre investigações, algo onde pudesse estar longe do fisco. img_7211Mas isso não foi o bastante para vencê-la diante de tanto tempo ao lado dos cravos, girassóis, margaridas e muitas outras variedades de flores. Eveline Oliveira mostra-se uma Rosa em pessoa na hora de driblar as barreiras que tentam impedi-la, mais que isso, com um pouco de menina e um tanto de mulher, consegue levar na esportiva a sua obra de arte sem prejudicar ninguém. Resumo da ópera: a única coisa que se sabe é que ela vai continuar por um bom tempo enfeitando a vida de flores até quando os seus dias permitirem. E que ninguém diga que não falei de flores após a entrevista, hein!

Portal Moda e Arte Desde quando as flores passaram a ocupar um lugar especial na sua rotina?

Eveline – Eu costumo dizer que as flores entraram na minha vida como uma inspiração. 1996 foi o ano onde tudo aconteceu quando costumava viajar com frequência à cidade do Rio de Janeiro. Nesse tempo, tendo feito algumas viagens ao Rio, o que mais chamou a minha atenção foram os lugares por onde passava. Era impressionante como havia flores por todos os lados. Elas estavam em todas as ruas, nas praças, nos supermercados e em vários quiosques espalhados nos principais pontos esbanjando o perfume e a beleza. Tudo isso foi o suficiente para me encantar. Na época, eu já vinha cansada de trabalhar com as vendas de artesanato e foi justamente nesse momento que a impressão deixada pelas rosas veio à tona na minha mente. arranjo-3Num bendito dia, muito exausta, eu pedi a Deus pra mudar o meu destino, pois já andava pensando em fazer algo diferente. Novamente, elas, as flores e toda aquela natureza, ressurgiram na lembrança. Foi quando vi numa sexta-feira um anúncio na Tv sobre uma ‘Exposição de Flores’ pela CEASA, realizada no sábado aqui em Fortaleza. Não pensei duas vezes para comparecer ao local, quando cheguei à exposição, a minha vontade era de aprender a fazer alguma coisa nem que fosse um arranjo de flores. No dia da exposição estava acontecendo uma inscrição para um curso na área que iniciaria no domingo; pronto, ali mesmo eu já tinha resolvido que faria o curso de uma semana. O interessante que após ter finalizado as aulas bem próximo ao dia das mães, isso num final de semana, tive a oportunidade de colocar em prática o que havia aprendido para homenageá-las. Fiz um trabalho bem especial a todas as pessoas conhecidas que ainda tinham suas mães. Naquele tempo lembro ter produzido 14 encomendas de arranjos de flores; até as entregas nas residências foram feitas por mim mesma. E, assim, aos poucos, a arte floral começou a dar certo na minha vida e passou de vez a fazer parte da minha realidade profissional até os dias de hoje.

P.M.A Afinal, o que ficou marcado desses anos trabalhando com as flores e ainda guarda na lembrança?

Eveline – Do passeio de ônibus aqui mesmo em Fortaleza. Não lembro agora o local, mas tinha avistado uma ‘Loja de Usados’ que chamou demais a minha atenção. 14567959_340418736293387_3462006971495313947_nNaquele mesmo instante eu desci do ônibus para conhecer o espaço que, por sinal, era interessante. Lá dentro, vi um bercinho num formato de uma casinha com quatro gavetas. A primeira ideia que passou na minha cabeça era de reinventá-lo. O resultado final foi melhor do que eu esperava. Ele tornou-se numa casinha das flores e tinha as rodinhas para facilitar o deslocamento; todo santo dia era colocado de enfeite na calçada da minha casa e chamava atenção de todos que passavam na Rua Rodrigues Jr – Centro da cidade.

P.M.A O designer floral atua em vários locais frequentados pelas pessoas e, ainda assim, é pouco conhecido no mercado. O cenário da floricultura em Fortaleza é favorável para o trabalho no cotidiano?

Eveline – A profissão de florista é bem-vinda em Fortaleza, sim, em alguns momentos. O que acontece muitas vezes é de não existir um número de profissionais especializados na área com um trabalho voltado para as técnicas. Nas datas comemorativas é possível visualizar a quantidade de pessoas que produzem sem esse detalhe que faz toda a diferença no acabamento. Qualquer pessoa monta um arranjo, porque as flores são lindas por natureza e elas deixam qualquer criação bonita. A questão se resume mais nessa carência de profissionais preparados que criam a partir de uma elaboração. Antes, até existia a associação dos floristas onde recorríamos para formalizar o quadro profissional, mas foi aos poucos se diluindo. Hoje, já não contamos com esse apoio.

P.M.A Atualmente, você realiza cursos de arte floral para ambos os públicos. Qual é o ramo mais visado pelas pessoas e tem feito sucesso nesses anos trabalhando com as flores em Fortaleza?

Eveline – O ramo da ‘Decoração de Festas’ é um dos carros-chefe de sucesso até hoje em todos esses anos trabalhando especialmente com as flores. curso-3As cerimônias de casamento, Debutantes (Festa de 15 anos) e comemorações religiosas são frequentes no menu do Design Floral e é bastante comum. Com relação aos cursos oferecidos, tenho iniciado um novo projeto ‘diferenciado’ totalmente focado nessa parte prática de ensino com oficinas e workshops para o público interessado na carreira.

P.M.A Eveline, já é possível ter uma noção de público nesses anos dedicado ao trabalho com as flores ou não?

Eveline – Na verdade eu tenho vários públicos. Quase sempre os líderes religiosos costumam ser um grupo mais assíduo de tudo o que já organizei com os cursos. Mas, há também, aquelas pessoas que buscam a arte floral como ‘Terapia’ e outras inclinadas em se profissionalizar. Até agora, digamos assim, esses são os grupos fiéis durante os cursos e formam o meu público-alvo.

 P.M.A Já que as rosas enfeitam a vida e tudo que a condiz, como é a experiência de enfeitar a morte que faz parte da nossa realidade?

Eveline – Costumo dizer que a arte floral está em qualquer lugar do mundo. img_7285As flores estão presentes na vida de todos e é uma arte que você leva por onde for e até na hora da morte. Pra isso, existem os arranjos fúnebres e suas técnicas de decoração para enfeitar o fim da vida. Antigamente, eu morria de medo só de olhar para um falecido. Juro que chegava a perder o sono ao dormir a noite; mas a morte faz parte da vida. Existe até um ditado popular que não recordo muito bem e fala sobre isso. Se não me engano, é bem assim: as rosas enfeitam a vida e outras enfeitam a morte. Então, as rosas nesses momentos permitem que façamos nossas últimas homenagens e ajudam a transmitir o sentimento para aquela pessoa. É mais ou menos isso…

P.M.A Tá na cara que o mundo das flores tem mais a ver com o público feminino, isso é fato, mas é verdade que os homens têm procurado se especializar na arte floral?

Eveline – Apesar de que a busca dos homens pelo universo das flores seja mínima, principalmente no nordeste, a situação é bem mais diferente em outros estados como em São Paulo. Por exemplo, a minha referência profissional vem de homens. Cito aqui o caso do professor Orlandio Santos que desenvolve um trabalho profundo com as flores. Ele introduz o valor sentimental em tudo que faz desde a decoração do cenário. É mais comum ver na cidade de São Paulo um número maior de homens atuantes nessa área. No caso do Orlandio, eu amei a forma com ele lida com o nosso universo.

P.M.A Que tipo de técnicas e materiais integra o curso de arte floral e é indispensável ao profissional da área?arranjo

Eveline – Temos a ‘espiral’ como principal técnica utilizada na arte floral. Através dela criamos arranjos e ramalhetes e buquês de noivas. Na parte de decoração, aplica-se o estilo formal que leva as outras modalidades mais avançadas. Sem noção dessas duas técnicas é melhor nem se arriscar a começar o curso. Já os equipamentos usados na criação dos arranjos, temos a tesoura simples ou de jardinagem, faca pequena (ou canivete), tesoura de poda, espuma floral, borrifador de água, vasos, potes e jarros de vidro. E, use a imaginação!

P.M.A Em sua opinião, o que a arte floral exige de uma pessoa para trabalhar no ramo e se dar bem com o tempo?

Eveline – Primeiro, a pessoa tem que gostar e levar jeito como qualquer outra atividade profissional. img_7293É preciso também ter o dom, criatividade, conhecer vários tipos de flores, habilidade manual e entre muitas outras exigências, embora existam as técnicas que vão ajudar o aprendizado com o tempo. Durante os cursos tenho percebido que as pessoas se dão bem simplesmente pelo jeito delicado e carinhoso de lhe dar com as flores. No geral, as pessoas que chegam ao curso são praticamente levadas pra esse ramo e se desenvolvem com persistência no final; diferente de outras que já lidam há tempo, não há o que dizer.

P.M.A O seu trabalho é praticamente uma obra de arte viva. Como você definiria a sua arte? 

Eveline – Eu vejo o meu trabalho como uma atividade profissional que lida com as emoções. aniversario-das-blogueirasTenho nele a possibilidade de vender [no bom sentido] o amor, o carinho, o sentimento… Eu costumo dizer também que na rosa você encontra o sorriso de Deus. Talvez, seja essa a razão pela qual as pessoas sempre abrem um sorriso a vê-las ou mesmo dá aquele beijo. Elas, [as flores] na verdade quebram o ‘Gelo’. É uma arte que funciona como uma terapia, pois é boa pra quem está montando o arranjo como para quem vai receber. O contato com elas é uma troca de energia. É indescritível trabalhar com as flores.

Revisado por: Juliana Nascimento – (Olhos de Lince) /Agradecimentos:Foto:Sergio Vieira/ Vinyle Café: Endereço: Rua Waldery Uchôa, 42 – Benfica/ Studio Colibri por :Valne Colibri.  

Anúncios