Os Verminosos Rock Band resgatam o ritmo do rock dos anos 80 e conquistam a nova geração de jovens da atualidade com exclusividade.

Por: Lima Sousa

Fotos: Aldair Pereira – Direção Artística: Alexson Vale

É nos embalos do rock da década de 80 que os Verminosos Rock Band agitam a galera durante as noitadas cearenses.  A banda é composta por Alysson Oliveira (vocal); Gui Rodrigues (vocal e guitarra); Jorge Junior (baixo); Antônio Marcos (guitarra) e Luís Cláudio Anjos (bateria). Juntos, eles viram a chance de tocar o ritmo alternativo com a ideia de unir música, história, costumes e legados das gerações do rock nacional brasileiro, a fim de não deixar cair no esquecimento as origens artísticas que fizeram parte da história do rock nacional no Brasil.

É no jeitinho cearense que conseguem marcar com criatividade a vida dos fãs ao som das bandas consagradas da época que até hoje deixam saudades e causam nostalgia no público. É relembrando o passado do rock nacional brasileiro com bastante diversão e intimidade que eles se diferenciam entre muitas outras bandas locais no estado e por todo o Nordeste. Muito mais que isso, eles usam como elemento fundamental a ‘valorização cultural do ritmo’ que forma um dos itens de paixão indispensável na vida de cada um deles, depois dos amigos, familiares e outras atividades. 

Atualmente o projeto da banda é inteiramente voltado ao ‘Tributo aos Titãs’ com músicas originais do álbum ‘Cabeça Dinossauro’, que foi na década de 80 uns dos maiores álbuns de sucesso. Com músicas originais do disco, os Verminosos Rock Band prometem levar o público ao êxtase com mais de uma hora de show, ao relembrar os clássicos da banda que ficou imortalizada no país, totalizando duas horas de rock and roll que se transformam numa eternidade durante toda a apresentação. A banda está no mercado musical há pouco mais de um ano e meio e nesse curto período vem dando o que falar. É por esse e outros motivos que queremos ficar por dentro de todos os detalhes que eles mantêm a sete chaves. Confira a entrevista.

Lima Sousa – O termo ‘verminoso’ é bastante usado pelo cearense. A escolha pelo nome da banda traz a influência dessa expressão que é típica no Estado? Como surgiu o nome ‘Verminosos Rock Band’?  ALD_0555

Guilherme Rodrigues – O termo ‘verminoso’ nasceu no estúdio da minha casa onde tudo começou a tomar corpo. A escolha por um nome aconteceu devido a muitas perguntas durante os ensaios no ‘QG’, o estúdio; é lá onde ficam guardados a Merylou, os cartazes e as chaves da pousada que nos esquecemos de devolver do show passado. Nós somos amigos e temos essa característica em comum tipicamente “Cearez”, digamos assim, de ser verminoso, no caso, pelo rock nacional brasileiro e gostar muito, muito de tocar. Foi nesse ambiente que o nome caiu como uma luva pra configurar a nossa banda. Porque ‘verminoso’ tem o significado da pessoa que gosta de fazer uma coisa repetidas vezes. Daí, Verminosos Rock Band passou a ser o nome oficial mais adequado para o grupo. 

L.S – Os Verminosos Rock Band têm apenas um ano no mercado musical do rock. No início, foi difícil a aceitação da banda ou a reação do público correspondeu às expectativas?

Alysson Oliveira – A nossa aceitação teve aquela receptividade muito rápida com o público à primeira vista.  Estamos acostumados a dizer que é preciso ter um pouquinho de ‘sorte’ e conquistar a simpatia do público para obter o sucesso. É somando isso que se consegue ter uma receita, se é que existe uma ‘receita’ para fazer sucesso. Pra banda, foi algo que nos surpreendeu, pois existem muitas bandas bacanas na cidade ralando e que até hoje não conseguiram tocar nos espaços que os Verminosos Rock Band chegaram a tocar.

Luis Cláudio Anjos – No começo, existiu aquele receio por que a cena da cidade apresenta uma carência de bandas que tocam o estilo do rock anos 80. 13256523_790491831087841_8410119324848057959_nPra gente foi uma experiência nova tocar o estilo de uma forma diferenciada das bandas que tocam couver; Nós chegamos com essa proposta do rock raiz, estilo pós punk, e começamos a tocá-lo para o público que viveu essa fase e sentiam a falta do ritmo musical. Acredito que foi nesse ponto do rock nacional da década de 80 que nós tivemos uma boa aceitação. De início, pra nós, gerou aquela incerteza, mas a aceitação imediata foi aos poucos fortalecendo a nossa autoconfiança.

L.S – A banda inclui no repertório outros ritmos como os grandes sucessos internacionais do rock de 80 para agradar o público atual? Digam-me, quem é o público de vocês? 

Luis Cláudio Anjos – O nosso público é bem variado com relação ao rock nacional de 80. O ritmo do rock dessa época conseguiu conquistar várias gerações. Então, existe um grupo dessa fase, mas tem uma segunda geração que vem curtindo muito as bandas que tocamos, desde Legião Urbana, Engenheiros do Havaí, Plebe Rude, Ira e os clássicos do rock internacional que entram em nosso repertório também.

L.S – E qual é a proposta lançada do ‘Internacional’ pelos Verminosos Rock Band dentro do repertório musical para o público de vanguarda e as novas gerações?

Gui Rodrigues – Com relação ao nosso público, tem uma galera jovem, sim, aquela turma de vinte aos trinta anos e a mais madura que vibra bastante enquanto agente toca. Mas existe a proposta musical do ritmo internacional como Jimi Hendrix, Creedence e I’am que estão incluídas no repertório da banda. A proposta dos Verminosos foge da ideia de ser aquela banda ‘couver’ de fulano ‘X’. O mais importante pra nós dentro desse repertório variado sempre foi se divertir e dá o melhor de nós, com ou sem público; se esse desejo fosse atendido, de ser feliz com o que estamos tocando, a banda já estava no lucro; o resultado seria uma consequência.

L.S – Já que foi imediata a aceitação do público ao estilo musical dos Verminosos Rock Band, conte-nos o que deu tanta segurança à banda antes, durante e depois dos resultados positivos?

Alysson Oliveira – Ao mesmo tempo em que gerava uma expectativa se daria certo ou não a banda no cenário musical cearense, a nossa consciência e o olhar para a década de 80 que marcou a sociedade brasileira era algo que nos dava segurança. ALD_0567A época teve fortes influências da cultura, moda e política com a ditadura militar que fez nascer as principais bandas de rock nacional com letras inspiradas no regime autoritário que traziam críticas ao sistema da época no país. A riqueza desse ambiente deixou um legado enorme ao que queríamos propor às pessoas que curtiram esse momento. Então, assim, agente tinha uma segurança muito grande em apostar na ideia relacionada aos anos 80 e foi o que deu certo para os Verminosos…

L.S – E qual parte do cenário do rock nacional brasileiro melhor representa a identidade da banda?

Alysson Oliveira – Cada um de nós tem o seu próprio conceito do significado da mensagem que a banda transmite ao público. A minha opinião, particularmente, é que a década de 80 representa a época da crítica em que as pessoas reivindicavam os seus direitos e criticavam o modo de vida que viviam. Eu sinto muito disso dentro do repertório que agente toca; Afinal de contas, essas músicas, elas têm mais de trinta anos e suas letras continuam atuais ao falar dos nossos problemas como educação, desigualdade, saúde e a política, essa então, piorou; Então, a crítica é uma parte desse cenário e leva um pouco da minha indignação e dos Verminosos também. 

Luis Cláudio Anjos – O nosso querido Renato Russo já dizia na música “Que País é Esse?”.

L.S – Nota-se um cuidado dos Verminosos quanto à escolha das bandas que tocam no palco. Essa mesma dedicação é igual para o figurino da banda durante as apresentações? Especialmente, quem cuida da produção de estilo?

Luis Cláudio Anjos – A banda está se ajustando aos poucos com essa ideia do figurino. 13315585_790491501087874_8244458565046166203_nAinda não temos um profissional específico pra cuidar dessa parte, mas como eu trabalhei muito tempo na moda como designer gráfico, por enquanto, essa parte quem tá cuidando sou eu. Já teve um show que tocamos todos vestidos com a camisa de super-herói dos anos 80, que foi muito bacana; pra nós, teve uma repercussão muito grande com o resultado das fotos que ficaram divertidas. Ainda estamos estudando a possibilidade de alguém pra cuidar exclusivamente dessa parte. Não temos uma certeza, mas quem sabe, o céu é o limite (…)

L.S – O que mais tem agradado ao público no repertório musical dos Verminosos durante os shows? Qual é a pedida maior dos fãs e o que vocês mais curtem tocar no palco para a galera?

Luis Cláudio Anjos – O pontapé do momento foi a banda ter apostado na seleção das músicas do álbum ‘Cabeça Dinossauro’ que tem deixado a galera animada durante o show; creio eu, foi uma das nossas melhores escolhas e fomos felizes. Não tem uma pedida em especial no repertório musical da banda, mas a seleção das músicas é algo que mexe bastante com o público.

Alysson Oliveira – Na verdade, a banda não é somente uma propriedade nossa; ela não pertence só a nós; não temos a autoridade de ser o dono do repertório do que vamos tocar; é muito do que o público vai pedir pra gente e o que queremos passar pra eles naquele momento. Estamos no show pra nos divertirmos juntos e o que conta na banda é justamente isso, a troca de energia com a galera. Muitas coisas que acontecem durante o nosso show são passadas por eles que nos ajudam na construção do repertório.

L.S – Em relação aos shows na cidade, em média, qual foi o melhor record nesse curto período de tempo que conseguiram atingir?

Alysson Oliveira – O nosso maior record do mês foi no ‘Rock 80’ – principal Bar temático de rock em Fortaleza na Parquelândia. Chegamos a ouvir do proprietário do bar que em pouco tempo de casa, como se diz, conseguimos bater o record no espaço comparado a outras bandas de nome na cidade. ALD_0566O show dos Verminosos fechou ainda cedo as portas do bar que tem capacidade para um número de 180 a 200 pessoas na noite e superou a estimativa com um público ainda maior.

L.S – Qual a opinião da banda com relação aos festivais de rock local?

Luis Claúdio Anjos – Existem dois tipos de festivais de rock em Fortaleza. Existem os festivais de bandas autorais e couvers. Eu acredito que em Fortaleza ainda falta um pouquinho mais de experiência e profissionalismo em ambas as versões de festivais. Os eventos daqui são restritos demais e alguns deles são promovidos sem dá espaço para outras bandas que estão começando no Ceará. E, também, as bandas locais precisam se unir para seguir em frente, afinal, todos têm o mesmo objetivo.

L.S – Por que vocês acham que o rock sofre fortes discriminações no mundo?

Gui Rodrigues – Porque o rock é um estilo musical que traduz na essência o DNA dos jovens que são mal compreendidos em qualquer lugar do mundo pela sociedade, seja no Japão, Europa ou nos Estados Unidos; O rock tá no DNA dos jovens e representa a atitude, o grito, a rebeldia e a maneira como eles se vestem e vão às ruas. Também não significa dizer que um ‘senhor’ de 70 anos, como é o caso dos Rolling Stones, não possa ser um jovem de ‘cabeça’. Eu acho isso absolutamente fantástico!

L.S – E o que dizer do lema “Sexo, droga e rock and roll” que estigmatizou o estilo musical desde o início?

Alysson Oliveira – Os primeiros festivais de rock internacional como por exemplo, o Woodstock, rolava muito dessa praia de sexo, droga e rock and roll, rebeldia, a vontade de extravasar e o desejo pela liberdade total. 13312786_790491511087873_4452668070438115261_nAs pessoas queriam mesmo era se soltar e pra isso tentavam de tudo um pouco como a droga, sexo e entorpecentes… Eu costumo dizer que a nossa droga nos Verminosos tem sido e vai continuar sendo a pura ‘ADRENALINA’. Agente se diverte de uma forma tão saudável que não precisamos de complemento pra ficar legal. Essa questão da droga é muito polêmica.

L.S – O que vocês diriam aos fãs que curtem o som dos Verminosos e pensam seguir carreira na música?

Gui Rodrigues – Que as pessoas se permitam ver o sol se pôr. Que elas não façam igual à letra da música do Sérgio Britto do Titãs que diz: “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer”. O meu conselho é que as pessoas se permitam viver mais! E a minha dica pra quem tá pensando em seguir a carreira de músico é estudar. Quem tá querendo crescer no ramo tem que se qualificar e escutar bastante música.

Verminosos Rock Band

Alysson Oliveira – Os fãs dos Verminosos são nossos amigos e eu diria a eles que vivam intensamente a vida porque ela passa muito rápido. Vivam de forma honesta e aproveitem os poucos espaços e tempos pra se divertir com responsabilidade. Na prática, é isso que faço quando sobra um tempinho pra curtir o meu rock. Pra quem tá começando, faça o que você gosta, pois quando isso acontece tudo se transforma em música.  

Luís Claudio Anjos – O show da banda é pra você se extravasar, se divertir e fazer aquela viagem no tempo ao relembrar a boa música ao lado de pessoas amigas, e como o Alysson mesmo falou, tirar um tempo, e é por aí… A vida é curta e temos que aproveitar, e claro, curtindo os Verminosos.  Para os interessados em seguir carreira na música, eu diria que o primeiro passo é se identificar com o seu instrumento e em seguida procurar a qualificação com os estudos. Infelizmente, na música não existem atalhos.

L.S – Que significado tem o rock na vida de cada um de vocês?

Gui Rodrigues – Democracia total!

Luís Claudio Anjos – O rock em si é a minha voz que se identifica com a crítica, a política e a defesa pelos direitos humanos.

Alysson Oliveira – Pra mim, particularmente, o rock significa humanizar, valorizar e aproximar as pessoas; é provocar nelas os bons sentimentos com a boa diversão. Ninguém precisa diferenciar o rico e o pobre e o preto pelo branco. Somos um só e quando estamos juntos somos ainda mais fortes. O valor das coisas quem dá é você. Na minha visão, o rock é a humanização dessas relações.

L.S – Por que motivo a banda escolheu tocar o rock da década de 80 e fazer do novo repertório musical um ‘Tributo aos Titãs’?

Alysson Oliveira – O rock dos anos 80 está sempre permitindo abrir um novo repertório na banda. A vantagem que temos de tocar com um repertório aberto dessa época nos deixa à vontade para incluir outras bandas além do tributo que iremos tocar no show. Além dos Titãs, é um tributo ao legado cultural do rock dos anos 80 com tudo o que a década ofereceu.

Luís Claudio Anjos – A escolha do ‘Tributo aos Titãs’ está ligada com a nossa juventude e faz parte da história dos Verminosos Rock Band. 10006958_750487145088310_3099314797951592164_nA banda viu a chance de tocar o álbum ‘Cabeça Dinossauro’ por ter sido nos anos 80 um dos discos de maior sucesso e esteve entre os 100 melhores do Brasil até hoje.

L.S – Pra finalizar a entrevista, digam-nos o que os fãs podem esperar do projeto que faz uma homenagem aos Titãs?

Os Verminosos – Diversão total!

Em nota Os integrantes da banda como Jorge Junior e Antônio Marcos estiveram ausentes na entrevista por motivo de conveniência pessoal. Por fim, anunciam desculpas aos fãs e agradecem o carinho de todos que acompanham o trabalho dos Verminosos Rock Band. 

Revisado por: Juliana Nascimento – (Olhos de Lince) / Agradecimentos: Impulse Comunicação.

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