Pincéis, para que te quero?

Por: Lima Sousa – Fotos: Margercino de Farias

A rotina não é a mesma quando o assunto é o maquiador Netinho Nogueira. Seu lema é viver a vida de forma “que a felicidade vire rotina” na maior parte do dia e funciona como um mantra quase que secreto. A famosa frase permite ao pisciano um trabalho impregnado de boas energias, além de exibir, ao final da jornada, megaproduções faciais entre sombras e lábios de fazer inveja. IMG_1612 #M5ComunicaçãoNetinho Nogueira opera milagres na maquiagem, ou melhor, com a ajuda dos pincéis ele deixa os homens e mulheres anos mais jovens. Acredite, não é propaganda enganosa, não. Nas redes sociais, o perfil do profissional conta com um número que comprova a veracidade dos fatos. Só no Instagram são 1973 seguidores para conferir as novidades que deixam as mulheres babando. No perfil @netomake, você é convidado a um passeio virtual cheio de charme e muita elegância. Não é à toa que ele está entre os principais profissionais de hair stylist and makeup e figurinista a integrar as produções de curtas e longas-metragens da capital cearense. O curta-metragem Janaína Overdriver, do diretor Mozart Freire, e o filme Nino, do diretor Marcelo Paes de Carvalho, ganharam prestígio com o toque do seu trabalho nas gravações. Sintetizando, Netinho Nogueira é feliz com o que faz (maquiar, dentre outros feitos) e para ninguém apontar defeitos. Tudo isso e muito mais é o que vamos ver agora na entrevista “Pincéis, para que te quero?”.

Lima Sousa – Quando a maquiagem passa a fazer parte de sua vida?

Netinho Nogueira – Eu sempre fui muito curioso desde a infância. Minha primeira manifestação com a maquiagem foi nessa fase, aos sete anos, quando pintei o meu rosto com as canetas piloto. Mas o primeiro contato de verdade com a maquiagem foi em 1999, aos 18 anos, quando estudava no Curso Princípios Básicos do Teatro – CPBT, do Theatro José de Alencar. Na época, eu encontrei o Graco Alves que assinou a maquiagem do espetáculo “Houve um Coração Sangrado de Tanta Luz” (1999), com direção de Joca Andrade, onde eu participava. Ele foi a primeira pessoa que vi riscando e pegando aquele material que me chamava atenção. Daí então, passei a buscar pela coisa que faz parte do meu universo até hoje.

L.S. – Qual a diferença entre hair stylist and makeup e o maquiador?

N.N. O profissional hair stylist é o estilista do cabelo e cuida exclusivamente dessa parte. Existem profissionais que trabalham unicamente com a maquiagem e outros apenas com o cabelo. Eu trabalho o conjunto, sendo que o meu carro chefe é o cabelo, mas a minha preferência sempre foi e é realizar a obra completa (hair stylist and makeup).

#M5Comunicação
#M5Comunicação

L.S. – Na maquiagem, a aposta é no ‘menos é mais’ ou as referências continuam no auge?

N.N. – Eu trabalho com sonhos e o estilo da cliente é o meu guia chef para a maquiagem dar certo. Muitas vezes, elas chegam com a foto de uma ‘Diva’ para ser executada. Nessas horas eu uso um pouco de psicologia para entender e fazer o gosto de acordo com o pedido delas. Isso funciona e é legal. Mas o bacana mesmo é poder viajar junto nesse sonho. O que seria de nós sem as nossas referências?!  Então, eu prefiro agradar as minhas clientes. 

L.S. – Além de hair stylist and makeup, você é formado no curso de Design de Moda. Ambas as funções estão garantindo consolidação aos profissionais diante de um mercado hipersaturado?

N.N. – A moda no Ceará está crescendo. Há espaço para todos, desde que você consiga encontrar o seu caminho certo. Fui para a faculdade porque eu queria muito trabalhar com a maquiagem de moda. Nesse período, busquei outros caminhos como a fotografia para saber como o resultado do meu trabalho ficaria após um click e entender melhor a minha função. Hoje, existem várias vertentes no ramo, são 55 profissões na área e, para a minha felicidade, o maquiador de moda está entre uma delas. Aos poucos estou conquistando o meu lugar no mercado.

L.S. – Hoje um profissional é obrigado a assumir diversas atividades devido à falta de novas oportunidades no mercado. Em sua opinião, faltam chances para os profissionais ou as empresas estão mais seletivas?

N.N. – Todo dia nasce um novo maquiador no Ceará. Existe a história de você estudar. Não é um curso de curto prazo que vai te fazer um profissional num piscar de olhos. Fiz muitos cursos e oficinas na minha área, tanto gratuitos como pagos, e ainda hoje as minhas fontes (como os livros, revistas e sites que vejo) são importantes para essa construção. Eles dizem o que devo ou não fazer. Infelizmente, o que está acontecendo é uma banalização da categoria profissionais pouco interessados em se instruir. Não basta saber passar um batom e sair dizendo que é maquiador.

Cenário: Vinyle Café
Cenário: Vinyle Café

L.S. – Entre maquiador e designer de moda, qual das funções ocupa mais o seu tempo e garante solidez?

N.N. – Lembro de uma conversa com a professora Rachel Marinho sobre a minha possibilidade de atuação no mercado como estilista… Naquele momento, ela disse a mim o seguinte: Não vá, não! Você já é bom no que faz como maquiador de moda”. Era tudo o que eu precisava ouvir. Agradeço a ela o elogio. Hoje a minha realidade é a de maquiador e é difícil ficar parado. Acredito que vou morrer maquiador!

L.S. – A valorização da moda local tem ganhado força entre os profissionais nos últimos anos. Você acredita que o maquiador tem conseguido pegar carona com o reconhecimento da moda no Ceará e ampliado as chances de se mostrar? 

N.N. – Sem dúvidas! A partir do momento que a moda local ganha força, isso se reflete no nosso trabalho. Existe uma cadeia envolvida nos bastidores trabalhando ativamente para atingir o público-alvo. Dessa movimentação nasce a coleção, em seguida, o catálogo, e logo depois uma equipe.  É aí onde entra em cena a vez do maquiador, produtor, modelos, fotógrafo etc… O que seria de um profissional sem suas bases?!

Foto de divulgação - No filme J
Foto de divulgação – No filme Janaína Overdriver

L.S. – O seu trabalho estampou importantes produções de curtas e longas-metragens na capital cearense. Qual é o maior desafio na hora de trabalhar nessas produções dentro e fora de casa?

N.N. – A dificuldade se encontra em qualquer lugar. Não tem pra onde correr. A principal delas é o apoio financeiro. Ou seja, é o que mais pesa quando os projetos são realizados entre amigos. Em parte, a questão ainda vem se arrastando pela falta da valorização das pessoas que na maioria são descrentes do potencial social e cultural dos artistas cearenses.

L.S. – O público feminino é o alvo dos maquiadores. Você acredita que os homens ganharam espaço no mercado da vaidade ou tudo que estamos assistindo é um jogo de marketing? 

N.N. – Eles estão com tudo! A estética tem feito grandes avanços e permitido ao público masculino um espaço nesse mercado. A cada dia que passa é uma barreira que está sendo derrubada no mundo deles. Hoje, existem salões de beleza exclusivamente direcionados para os homens, sem falar dos produtos para a pele masculina. 

L.S. – Quais são os cuidados essenciais para garantir uma make perfeita?  Que dicas você nos daria?

N.N. – Atenção, mulheres! A primeira dica infalível é passar algumas pedrinhas de gelo no rosto antes de maquiar. A ação do gelo na pele retrai os poros e ajuda na concentração da maquiagem. Efeito mil! A segunda dica é tirar a maquiagem antes de dormir para evitar a danificação dos poros. A terceira e mais conhecida é não se expor ao Sol e hidratar bem a pele com a ingestão de líquido.

O desfile de Hemanuel Victor foi assinado pelo Maquiador no DFBHOUSE 2016
O desfile de Hemanuel Victor foi assinado pelo Maquiador no DFB HOUSE 2016

L.S. – No seu Instagram, contam 1973 seguidores entre homens e mulheres. Você acredita que o seu público masculino aceita de verdade essa conversa de maquiagem? 

N.N. – Existe aquele público mais conservador, que tem o costume tradicional e não se rendem jamais as novidades. Eu já presenciei cenas onde fiz a maquiagem de homens em festa de noivado e eles ficam surpresos com o resultado final.  Muitos chegam a confessar a mim que ficaram mais bonitos, que a pele teve um realce e vão continuar usando todos os dias. Nessa questão eu não colocaria um número. Por enquanto, é melhor pensar que a vaidade entre eles está crescendo e tendo uma aceitação.

L.S. – A revolução digital tem aproximado as pessoas e ao mesmo tempo distanciado umas das outras. A internet responde às suas expectativas na hora de divulgar o seu trabalho ou não?

N.N. – O que seria de mim se não fosse a internet?!  É uma ferramenta grandiosa para o meu trabalho. A explosão das redes sociais nos deu a chance de criar e fazer conexões rápidas. Eu lembro que antes era necessário marcar encontros para mostrar o meu trabalho e agora ficou mais prático. As pessoas ainda perguntam se eu tenho portfólio e eu sempre indico o meu Instagram como referência.                                                                           

L.S. – Você escreveu no seu perfil do Facebook: “Agora é oficial. Sensação de dever cumprido. Gratidão à vida. Sou designer de moda. O céu é o limite”. Pode nos dizer um desafio no período da faculdade de moda?

N.N. – Voltar a estudar com pessoas de várias idades foi um deles. Eu estava acostumado a viver ao lado de pessoas que pensavam igual a mim e não tinham crescimento nenhum. A faculdade foi um momento em que a minha mente se abriu de uma forma fantástica e tive a possibilidade de ampliar novos horizontes para a vida. Isso foi muito bacana!

L.S. – O “Bar Teresa e Jorge” é um dos lugares que te deixa à vontade. Você é uma pessoa que curte as grandes baladas ou tem preferência por lugares mais regionais?

N.N. – Eu gosto da noite para curtir de tudo um pouco, desde o rock, forró, boate a barzinhos da cidade. Eu sou super eclético quanto aos lugares. Quem faz o ambiente somos nós. IMG_1692 #M5Comunicação

L.S. – “Ele me surpreendeu com um sorriso que iluminava tudo em volta, um abraço que tinha o poder de cessar lágrimas, um colo antitristeza e um coração tão grande que cabia minha história, sabia o que eu era, com todos os meus defeitos, todas as minhas manias. O que eu vi nele? O que não vi em mais ninguém”. A frase é uma declaração afetiva do seu companheiro e foi escrita abertamente ao público no Facebook para você. Que dimensão tem o Pedro, além da frase na vida a dois?

N.N. Estamos juntos há nove anos num relacionamento onde vivemos a amizade, o companheirismo e o respeito um ao outro. Eu já vinha buscando alguém pra dividir momentos e pedia muito a Deus pra mandar um namorado da pele negra a minha paixão, sou louco! Foi quando o Pedro apareceu com todos os amores. Na vida a dois ele é meu amigo, é meu pai, minha mãe, é meu confidente e o meu anjo da guarda. Somos felizes à nossa maneira. O nosso amor é indescritível! 

Revisado por: Janaina Gonçalves (Olhos de Lince Revisão) / Cenário local: Vinyle Café (Endereço: Rua Waldery Uchôa, 42 – Benfica, Fortaleza – CE).  Fotos de divulgação – Capa desta página: Ruddo Lopes.