Regina Casé e Suas Estampas: A construção de um “Estilo Único”?

Foto: Marcos Serra Lima/ Ego
Foto: Marcos Serra Lima/ Ego

Por: Mayara Magalhães

Dia desses assisti no Canal GNT uma reprise do programa GNT fashion, apresentado pela jornalista Lilian Pacce, importante referência da moda brasileira, no qual ela entrevistou Regina Casé, atriz, comediante e apresentadora, conhecida , dentre outras polêmicas, pelo visual extravagante.

A matéria, exibida pela primeira vez em 02 de junho de 2015, tinha como tema “Estilo único”. Mesmo achando a temática do episódio coerente com a personalidade da artista entrevistada, confesso que fiquei desconfiada. A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi “como uma mulher conhecida pelo grande público como brega é convidada para falar de moda?”. Claro que assisti ao programa para tirar minhas próprias conclusões. Mesmo achando que Regina Casé muitas vezes desliza no figurino, gostei do que vi e ouvi.

Assim como Casé, eu também adoro estampas! De modo geral, acho que pessoas que vivem no litoral e em cidades brasileiras que atingem altas temperaturas tem uma predileção por cores e estamparias, assim como eu, que vivo em Fortaleza, e Regina, que vive no Rio de Janeiro.  Cidades solares pedem roupas leves, frescas e confortáveis, as estamparias e as cores dão mais alegria e bossa aos looks do dia a dia. O desfio é adaptar este estilo despojado a várias ocasiões.

Outro ponto do programa que achei interessante foi o desprendimento de Regina Casé aos dogmas do mundo fashion. A apresentadora tem uma visão de moda muito particular. Para ela, além do consumismo, a moda também tem a ver com referências culturais. Ela gosta de compor sua autoimagem com peças que “falem” das culturas. Estampas, texturas, bordados e pedrarias são elementos que nos remetem a determinados lugares. Uma das referências de Regina é a África. O gosto pela cultura africana motivou várias viagens que fez ao continente. De lá ela trouxe tecidos, peças de vestuário e acessórios. As produções de Regina Casé são cheias de peças compradas em viagens e feiras. Os looks, que para nós muitas vezes parecem incoerentes e estranhos, para ela é carregado de recordações, afetos e referências culturais.

regina_case_1
Foto: Marcos Serra Lima/ Ego

Enquanto via o bate-papo de Pacce com sua entrevistada, imediatamente me lembrei do documentário Advanced Style, de Lina Plioplyte, pois achei Regina Casé tão destemida quanto às senhorinhas nova-iorquinas retratadas no filme.

O programa, afinal, me fez pensar como é difícil construirmos um estilo pessoal. Muitas vezes o medo de ousar nos faz pessoas menos autênticas e mais parecidas com catálogos de lojas, sem dúvidas referências importantes, mas que não deveriam ser as únicas. Assim vejo que a moda do nosso cotidiano não é apenas consumo, mas autoconhecimento, expressão dos nossos gostos pessoais e estilo de vida.

Por fim, mesmo com toda esta reflexão, continuo achando que às vezes Regina Casé erra feio, mas aprendi a admirar sua ousadia e coragem de se arriscar!

Beijos.

IMG-20150727-WA0069 Revisado: Lima S./ Edição: Mayara Magalhães/ Agradecimentos: Fotógrafo: Marcos Serra Lima/ Site: Ego/ GNT fashion/ Mayara Magalhães. 

Um comentário sobre “Regina Casé e Suas Estampas: A construção de um “Estilo Único”?

  1. O Brasil é a repetição do “mesmismo”. Não experimenta o novo e nem evolui. Nada de novo na POLÍTICA. Lula não tem nada de novo. Só discurso populista. Nem em EDUCAÇÃO ou CULTURA. O Brasil continua brega, por isso perde oportunidades. Veja aqui 1 exemplo:

    A concorrência pelo Oscar em 2017 & o PT:

    O nome do filme barango, com a brega da Regina Casé:

    é: “Que horas ela volta?”. (repare que nome que não tem nada a ver).
    Isso ano passado, 2015. Concorreu ao Oscar. Lógico que a Academia de Ciências e Arte não iria apreciar tamanho clichê de filme. Sem mérito nenhum esse Que horas ela volta. Coloque esse nome no Google e veja a foto do cartaz, para ver a baranguice.

    Já o desse ano, que concorreu por CANNES, e perdeu por lá é AQUARIUS, de Kleber Mendonça Filho — o Baba Ovo do Festival de Tiradentes. Lá em Cannes fizeram uns cartazinhos com o ENGANA-TROUXA: o “Fora Temer”.

    Aquarius dançou… O novo Ministério da Cultura, do Temer, escolheu outro filme para concorrer em 2017… cujo nome é “Pequeno Segredo” (repare o título! Parece interessante!). Que tem mais potencial para seduzir a Academia do Oscar.

    O pessoal de Aquarius deve está NERVOSINHO.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s