Relações Líquidas

Por: Lima Sousa – Fotos: Renata Alexandre

Alguns minutos conectados na internet é o suficiente para assistir de camarote a uma explosão de atualizações nas redes sociais. Os perfis pessoais batem o recorde quando o assunto é a subjetividade de cada um. Na revista Select, de 2013, foi lançada uma matéria especial na página ‘Curto-circuito’ com o tema “A nova subjetividade”, escrita por Giselle Beiguelman. 

Foto: Renata Alexandre

Segundo a reportagem, foram mostrados os números de atualizações instantâneas feitas pelos internautas nas principais mídias de acesso. O Facebook lidera o ranking com 700 mil postagens de status a cada 1 minuto. No Twitter, são lançados 530 mil mensagens com fotos. O Instagram alcança 3,6 mil fotos publicadas e no YouTube são 72 horas de vídeo disponíveis. Já imaginou quanto tempo se investe ou é perdido na web a troco de curtidas e a busca por novos seguidores? Incalculável! Vale ressaltar que os dados são de três anos atrás, ou seja, a essas alturas, em pleno ano de 2016, a situação só tem elevado o número de navegadores e o tempo que passam on-line. O importante, a saber, é que a discussão continua atual. Sejam bem-vindos, esse é o novo sistema de relacionamento do homem contemporâneo no mundo digital.

O ponto de encontro entre jovens, homens e mulheres de todas as idades foi parar nas telas dos computadores e celulares. Talvez ninguém tenha pensado que as relações tradicionais migrariam ao universo das redes sociais. Também, não acreditavam que hotéis, bares e cafés seriam substituídos por prédios digitais.

É bem assim, a internet vem sendo um dos maiores edifícios que hospedam uma multidão de gente que em sua maioria compartilham emoções, status, vendas e revelam aquilo que sentem, gostam e fazem, bem como omitem muitas verdades.Ô, nem me fale!  É uma verdadeira facção de identidades se relacionando e se promovendo a todo o momento. Nisso tudo, é rezar para continuar sobrevivendo, pois os impactos não são cafés pequenos, não. Na verdade, é o que vem acontecendo.  A cada dia as pessoas trocam o ‘cara a cara’ pelo ‘tela a tela’ e vão se distanciando cada vez mais umas das outras. Em segundos, se constrói uma relação e na mesma rapidez o castelo encantado pode desmoronar. A pergunta que não quer calar, é:

Até que ponto chegaremos?  Seremos uma nação cibernética de zumbis?

Foto: Renata Alexandre

A tecnologia da internet soma um dos itens indispensáveis no dia a dia e dá a continuidade do que somos. É igual à água que bebemos, à energia que consumimos, ao rádio, ao jornal impresso, ao telefone e à televisão – esses últimos foram quase que devorados pela invasão dos novos meios digitais. Fico imaginando uma gama de internautas soltos na selva sem ondas de Wi-Fi ou 4G. Todo mundo em parafusos!  Sentiu?  Deu para ver como somos reféns das maquinas atuais.

Há também que consentir o lado positivo da coisa, sem dúvidas. No momento em que estamos distantes um dos outros, ao mesmo tempo nos mantemos próximos através das plataformas digitais e ampliamos relações, criamos oportunidades, consumimos, facilitamos, rompemos os limites e atravessamos fronteiras, antes, algo que era privilégio de uma minoria. 

Foto: Renata Alexandre

No país onde os artistas lideram o maior número de fãs, admiradores e seguidores fiéis, muitos deles foram obrigados a saírem da zona de conforto e produzir muito mais que o comum.  Com a chegada das plataformas sociais na internet, foi possível ampliar o espaço para os “excluídos”, digamos assim; Hoje, já é possível a “prática de PR” (Public Relations – Relações Públicas), antes, muito frequentes entre marcas, publicitários e as celebridades. Agora, todos têm direito ao palco. A verdade seja dita! Vivemos na era da igualdade e ao mesmo tempo da concorrência, sem esquecer, é lógico, da era do áudio também. A diferença está na qualidade: quem faz bonito nesse território se sobressai. Em tudo, sempre vai existir o lado positivo das coisas. Acredite!

Contudo, o advento da revolução digital nos obriga a aceitar as novas mudanças se não quisermos correr o risco de ficar em “outdated” (desatualizado), mas a turma do estilo à moda da casa, como diz o ditado popular, não abre mão de curtir o costume da praça. Você entendeu, é isso mesmo. Aquela chamada ao telefone, o olho no olho, uma visita básica e, por que não, de vez em quando, ver o álbum de fotos da família? Nada melhor que viver de verdade. Diga aí, isso é vida ou não é?!

 Revisado por: Janaina Gonçalves (Olhos de Lince Revisão)