Profissionais da moda cearense se reúnem no Seminário Moda Inclusiva 2017

Por: Lima Sousa – Fotos: Acervo do projeto

Não é de hoje que o mundo da moda ergue alta a bandeira do culto ao corpo perfeito. Uma de suas maiores vitrines são os desfiles de moda que refletem um espelho nítido dessa velha ditadura. Já estamos acostumados, ou melhor, fartos de assistir, durante os lançamentos de tendências, ao rígido padrão de beleza desfilado nas passarelas. 

Foto: @sjrmarques
Fotógrafo: @sjrmarques

Enquanto isso, outras plataformas virtuais, como sites e blogs especializados, estão saturados da mesma conversa e pouco fazem a diferença ou provocam mudanças significativas na sociedade. Diante disso, seguimos assistindo à mesma cena de sempre – homens e mulheres de estrutura alta, magra e sem nenhuma privação a desfilar na passarela. Não há lugar para a imperfeição ou algum tipo específico de empecilho físico nesse meio; a única certeza que esse time oferece para os jovens, especialmente os adolescentes, é uma rotina sem muitas liberdades e uma vida regada de atos contínuos de sacrifícios para adquirir um corpo padronizado.

E qual seria o molde para criar uma nova proposta diferenciada no universo da moda? A aposta de inserir pessoas com deficiência no segmento é o primeiro passo para uma moda real e mais democrática. Pensando sobre este viés, surge na capital cearense o ‘Seminário Moda Inclusiva Fortaleza 2017’. O evento é idealizado por designers e profissionais dos cursos de moda da cidade. Todos eles engajados na área de políticas públicas com o principal objetivo de lançar um olhar sobre a questão ‘Moda e Deficiência’.

Participações – Top de Linha

O seminário acontece no Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência – CEPID, nas datas 23 e 24 de março de 8h as 17h da tarde. Serão dois dias direcionados para a temática pouco discutida no cenário cearense. A playlist do evento integra nomes importantes que confirmam a presença durante a programação. dsc06680Entre os convidados destacam-se a idealizadora e coordenadora do Projeto Moda Inclusiva de São Paulo, Daniela Auler, Fabiano dos Santos Piúba – Secretário da Cultura do Estado do Ceará – SECULT, Evaldo Lima – Secretário da Cultura de Fortaleza – SECULTFOR, Antônio Pinto – Fórum Permanente de Moda de Fortaleza, Kelly Whitehust – Presidente do SINDITXTIL e as Faculdades do Curso Design de moda do Estado (UFC, UNIFOR, FIC, FFB, ATENEU, FANOR IDECC E FAC.CISNE).

Expansão da Moda Inclusiva

Na história da moda cearense, será a primeira edição do evento que traz uma questão pouco explorada na cidade e no país. O estado de São Paulo é o pioneiro no assunto ao ter lançado no ano de 2009 o 1º Concurso com base no conceito inclusivo. dsc_0193Logo em seguida, no mês de maio do ano de 2012, o tema foi parar na capital da moda, Milão, no evento “LA NORMALITÁ DELLA BELEZA”. A participação do projeto fora de casa ganhou asas e chamou atenção do mundo com um desfile realizado entre jovens e crianças com deficiência. Todos eles estiveram vestidos em peças de designers brasileiros. Pouco a pouco a proposta vem sendo estudada entre os profissionais do setor que começam a se adaptar a um novo conceito desafiador.

“O projeto da ‘Moda Inclusiva’ começou especificamente para atrair a atenção das pessoas, mas a ideia é que ele esteja dentro de todas as passarelas. É um grande passo para o segmento que tem tudo a ver com sustentabilidade e já está dentro de congressos científicos de moda e faz parte também do projeto ‘Lição de Casa’, promovido pela ‘Casa de Criadores’, entre outros”, diz Daniela Auler, idealizadora do projeto Moda Inclusiva do Estado de São Paulo.

Moda Inclusiva e Sustentabilidade

A moda inclusiva apresenta ainda uma abordagem sustentável quando se preocupa com o bem-estar do indivíduo. img_5612Nesse sentido, ela incorpora uma característica peculiar que contempla o vestir sustentável por meio de um produto pensado para as pessoas com deficiência. Na prática, esse efeito funciona da seguinte forma: criar produtos de forma digna, utilizar materiais adequados, não violar os direitos do consumidor e pensar em mercadorias acessíveis para os variados perfis de públicos.

Estatísticas

Integrar pessoas com algum tipo de privação física trará ganhos ao mercado da moda não apenas por ser um estilo diferente, mas sim, por configurar o aspecto de responsabilidade social. Sem contar que esse modelo de negócio vai elevar o potencial de consumo tanto interno como externo, além de gerar oportunidade de emprego. img_5644No Brasil, o número de pessoas com deficiência chega a 45,6 milhões, representando 23, 9% da população brasileira, segundo dados da cartilha “perguntas e respostas para entender o tema”, uma realização do Governo do Estado de São Paulo.

Foram-se os dias em que o rigoroso padrão de beleza era com exclusividade o centro das atenções. O momento atual pede ao império da moda mudanças rápidas para vestir um caráter social e tão necessário à pluralidade coletiva, em especial, o olhar para a inclusão das diferenças. Se a indústria do vestuário deseja continuar existindo, deverá o quanto antes atender às exigências ou iremos assistir de camarote ao seu declínio; se a moda não mudar, o mundo transformará a sua velha ditadura. >P.M.A<

Revisado por: Juliana Nascimento – (Olhos de Lince) /Agradecimentos: CEPID – Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência/ Buffet Fino SaborEndereço: Rua J da Penha, 421 – Centro/ Studio Colibri por :Valne Colibri.