Charles Chaplin na moda – Chaplin Plinchá

Ilustrações: Lima Sousa
Ilustrações: Lima Sousa

Nascido em Londres no ano de 1889, um dos grandes mímicos e artista do cinema mudo, Charles Chaplin, encantou o mundo com suas obras que retratavam a realidade de forma engraçada e humorística. Como um dos principais ícones da arte cinematográfica, ele defendeu as causas pertinentes na sociedade como o “desemprego e a miséria”, do qual foi vítima na infância. Nesse ínterim, além de ator, também era um crítico e pensador, vindo a criar um dos personagens que marcaria toda a sua carreira e obra: O vagabundo Carlitos, representando de forma humanizada e poética os problemas enfrentados no cotidiano.

É dele a frase “Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado”. O gênio do cinema mudo já sabia qual é o segredo para atingir o topo do sucesso: sorrir, simplesmente sorrir. Em sua obra autobiográfica chamada Minha Vida, publicada em 1964, existem outros trechos de frases famosas do artista, além de uma série de acontecimentos dolorosos atravessados por ele e sua família antes da fama. A triste internação da própria mãe no asilo Cane Hill, em decorrência de desordens mentais por conta da fome e entre muitas outras experiências, foram também cenas da vida do mestre do cinema. Em seu livro é descrito inicialmente a inocente recordação da infância ao lado do seu irmão Sydney e sua mãe Hannah, ainda quando tudo era agradável e trazia em si o encanto pela vida:

 “NASCI A 16 DE ABRIL DE 1889, às oito horas da noite, em East Lane, Walworth. Pouco depois mudamo-nos para West Square, em St. Georges Road, Lambeth. Segundo mamãe, era feliz o meu mundo de então. Vivíamos com relativo conforto em três cômodos bem mobiliados. Uma das minhas primeiras recordações é a de que toda noite, antes de mamãe ir para o teatro, Sydney e eu éramos carinhosamente postos numa cama confortável e entregues aos cuidados da empregada. Naquele mundo dos meus três anos e meio tudo era possível; (…)”

Charme Chaplin
Charme Chaplin

O trecho destaca o sentimento de profunda nostalgia ligado a sua terra natal e o modo de vida que levavam. Embora parecesse agradável o padrão de vida, nota-se que ele mesmo afirma que viviam com relativo conforto em apenas três cômodos mobiliados. Ao que parece, à primeira vista, não se tem certeza dessa comodidade desfrutada pela família Chaplin. No desenrolar da vida dramática do artista, em sua autobiografia, vemos uma série de altos e baixos, como a morte de sua mãe no ano de 1928 e a sua busca ansiosa e sofrida pelos palcos. Apesar das experiências norteadas de incertezas, de perdas, encontros, desencontros, celebridades, fama e desgostos, ele deixou claro na frase a seguir o motivo de seu estrelato: “A persistência é o caminho do êxito”.

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Carlitos – O vagabundo

… E, no ano de 1919, a persistência resultou no ápice da fama à conquista de sua própria empresa cinematográfica, a United Artists, juntamente com seus amigos Douglas Fairbanks, Mary Pickford (ambos casados) e D. W. Griffith. O quarteto unia-se para assumir o poder sobre suas obras tanto financeiramente como na técnica.  A partir daí, Charles Chaplin, além de ator e mímico, assumia seus próprios roteiros e dirigia seus filmes. Outrossim, através de suas produções eram denunciadas as injustiças, a ditadura, a repressão, a fome, o sistema capitalista e o sistema autoritário, em vigor na década de 1930 na Alemanha Nazista onde seus filmes foram proibidos. Na lista de filmografia de Chaplin estavam longas metragens recordes de vendas na bilheteria dos cinemas, como: O garoto – 1921; Em busca do ouro – 1925; O circo – 1928; Luzes da cidade – 1931; Tempos modernos – 1936; O grande ditador– 1941”; entre outros famosos.

E não para por aí… A vida de Charles Chaplin é mesmo um baú de surpresas por trás dos bastidores. Na mídia, o cineasta teve o seu nome reconhecido como um dos grandes ‘comediantes’ do cinema mudo. Na vida pessoal ganhou a fama de namorador com suas relações amorosas conturbadas no qual as mocinhas eram o alvo de sua preferência. Na sua lista de relacionamento estavam nomes como Mildred Harris (16 anos), Lita Grey (também com 16 anos), Paulette Goddard (25 anos), a atriz Joan Barry (22 anos) e, para finalizar, casou-se com Oona O’Neill, de apenas 17 anos, somando, ao todo, oito filhos quando ele tinha seus 54 anos. Nota-se que a fama de galã não dava espaço para a solidão, pois viveu intensamente ao lado de mulheres bonitas e que o presentearam com fartas dores de cabeça.

O garoto- 1921
O garoto- 1921

Quem disse que a vida de estrela é só de espetáculos pensou errado! No palco dos mortais todos atravessam dias de glória e pesar. A vida do astro da pantomima, que saiu da pobreza para a riqueza e que ganhou o mundo, não foi diferente. Daí surge a pergunta: Antes melhor na pobreza ou na riqueza? Dizem que só conhece o inferno aquele que tem ganhado o mundo. Para alguns, é preciso sentir a dor para alcançar o paraíso. Então, Chaplin mantinha isso em segredo, então, como saber? Independente de suas dificuldades, fama, sucesso e prestígio, seu talento foi suficiente para dar lugar à esperança, à defesa, à coragem, à perseverança e,por fim, ao riso e às lágrimas.

Talvez, nesse momento, em meio a tantas turbulências, prêmios e troféus, sua resposta tivesse sido: “Valeu ter tentado”. O quebra-cabeça de sua vida encaixava todas as peças para torná-lo um ícone mundial. Portanto, na imaginação de Chaplin, acredita-se que, por ele mesmo, a ousadia de fazer tudo novamente seria melhor que permanecer decadente. Em suma, ele foi um fenômeno infalível. Tudo o que produziu foi sua própria sentença.

Por: Lima Sousa/ Edição: Lima S./ Revisão : Janaína Gonçalves/ Pesquisa: Autobiografia de Chaplin: “Minha Vida“. Agradecimentos: Blogchaplim.com

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O cinema está entre os fotogramas

“That’s what cinema is, single frames. Frames. Cinema is between the frames.”

 “Isso é o que o cinema é, fotogramas isolados. Fotogramas. O cinema está entre os fotogramas.” 

Jonas Mekas

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Este é o tema do projeto de pesquisa Cinema Experimental: o legado do cinema de Jonas Mekas na produção contemporânea, com a exposição coletiva dos trabalhos de Jonas Mekas no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc), ao lado de outros profissionais com diferentes características que envolvem a linguagem estética cinematográfica de Mekas

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Fotos: Renato Linhares

Nos seus 92 anos, o lituano radicado em Nova Iorque permanece com disposição para uma contínua atividade de suas realizações que traçam um perfil de Cinema de Vanguarda, onde o cotidiano é o principal objeto de investigação. Seu estilo de fazer cinema reflete as memórias vividas de si mesmo em contexto com o meio, além das impressões que capta do mundo, das sensações diárias e dos fatos reais da vida que vão sendo transformados em documentários. Há um desejo de não perder o espetáculo da vida para as câmeras que registram lembranças, repetições, cenas, gestos, rastros, sons, ruídos, sussurros, gritos, graças e a beleza fascinante de simplesmente narrar em filmes, o que traz diferentes significados ao público.

O gênero de seus filmes caracteriza a subjetividade e a singularidade de suas ideias de forma atemporal. Mekas é exclusivo. Entende-se, neste caso, que suas obras não se conectam ao modelo de cinema convencional visto nos dias contemporâneos. Sendo essa uma marca desenvolvida com o tempo, logo quando precisou fugir de Semeniskiai, Lituânia, invadida pelos alemães na Segunda Guerra Mundial refugiando-se nos Estados Unidos, no ano de 1949.

Os ventos da vida sopravam Mekas ao seu verdadeiro e único lugar no mundo. O início de suas práticas com o filme aconteceu com a primeira bolex 16mm registrando o exercício de suas experiências. O universo cinematográfico estava só começando a se desenrolar para Jonas Mekas, que encontrou um novo código de se comunicar com a câmera. Ele havia criado sua própria versão de ilustrar o cinema com técnicas autênticas. Atualmente, ele realiza as gravações com o auxílio das novas tecnologias no melhor que sabe fazer: filmar.

Curadoria: Beatriz Furtado, Allan Gomes Menezes, Lohayne Lima e Luly.

11219059_536702383147475_4434980115997658297_n Por: Lima Sousa/ Edição: Lima S./ Revisão: Fernanda Silvia Barroso/ Fotógrafo: Renato Linhares/Agradecimentos: MAUC/ Lohayne Lima e Luly.